As considerações, a seguir, não retratam o nosso vínculo ao culto ateísta, pelo contrário, reafirmam a existência de um “Ente Supremo”, muito além da nossa vã capacidade de interpretação. Ao analisarmos o processo vital, sob o ponto de vista universal, podemos afirmar que ele se sustenta sobre duas grandezas - forças -, de mesma intensidade e sentidos opostos, que se anulam segundo uma resultante - o equilíbrio.
Ao analisarmos a estrutura química de todos os seres existentes neste Planeta, podemos afirmar que são constituídos de moléculas, estas formadas por átomos, que se dividem em elétrons (átomos negativos), prótons (átomos positivos), e nêutrons (átomos neutros); que, ao reagirem quimicamente - reações químicas -, buscam o equilíbrio das substâncias. A fusão atômica - fusão nuclear - é um exemplo de desequilíbrio dessa reação.
Importante observarmos que a trajetória da racionalidade humana, há milhares de anos, procura incessantemente interpretar essas forças, atribuindo-lhes valores opostos. Um lado, positivo, atribuído ao bem, ao certo, à luz, ao céu, a Deus, etc; e outro, negativo, atribuído ao mal, ao errado, à escuridão, ao inferno, ao Diabo, etc. Diante de um pré-conceito institucionalizado, as pessoas procuram, incessantemente, anular uma dessas forças pela busca da felicidade, acreditando alcançar a supremacia da essência individualista do ser.
O fato é que devemos entender que na estrutura vital, na qual nós, humanos, estamos inseridos, essas grandezas são inerentes ao processo vital e não admitem violação, ou, num sentido mais apropriado, não admitem profanação, buscam apenas o equilíbrio desses valores, que coexistem em cada unidade do ser.
A estrutura mental humana - psique -, também impulsionada por reações químicas, é composta dessas duas grandezas - forças. A noção de maldade e bondade coexiste em cada individualidade do ser. Tentar suprimir uma dessas forças é contrariar a própria condição de existência; cuja tentativa de supressão é vivenciar a infelicidade, é enganar-se; pois somos essencialmente maus e bons. Devemos entender que a estrutura biológica é uma condição social e universal e que o único comportamento admissível é o entendimento individual de cada ser, sobre o que é realmente conveniente e essencial para essa “estrutura vital”.
Somente com a aceitação dessa condição, aliada à autocrítica e ao autoconhecimento, conseguiremos iniciar o processo de equilíbrio individual de cada ser, e, consequentemente, a busca pelo equilíbrio social, que só será alcançado com atos sociais acompanhados de respeito recíproco, a máxima da condição humana. “Quanto ao sentimento maior, o amor, este inatingível quanto ao seu alcance social; pois é utópico imaginar uma sociedade absolutamente imperfeita conceber a plenitude da perfeição”.
O autor, Newton Martins Pina, é cientista jurídico criador do Biodireito Universal - e-mail: newpina@ig.com.br