Sou bauruense nata e vi várias administrações, umas regulares, outras “maquiadas”, algumas ruins e até péssimas. Achava patéticas as exibições em época de campanha e ridículo, até revoltante, o sumiço dos mesmos depois. Inacessíveis, trancafiados em seus gabinetes. Bastavam alguns dias para serem mestres na arte de dar desculpas.
Nunca vi nenhum deles depois de eleitos e se apareciam em público era em alguma inauguração pomposa, do tipo “cala boca”. De longe , engravatados, como se o terno os trouxesse o respeito que não faziam por merecer.
Lembro-me também que em 1996, na Vila Santa Luzia, houve um comício de um candidato a prefeito da época. Avistei um rapazinho de uns 18 anos entregando seu número de candidato a vereador. Peguei um, li e comentei com uma amiga que ele era corajoso, tão jovem e optando por essa profissão.
Nesses anos ouvi muitos falarem mal de Bauru. Ficava com raiva, mas ia dizer o quê? Amava e amo a minha cidade, apesar dos problemas. Foi então que eu descobri o grande problema. Era que o próprio povo não mais sentia amor pela cidade, muito menos teriam cuidado com ela. Estavam desanimados, cansados.
Já neste mandato, nosso prefeito Rodrigo Agostinho também não é encontrado em seu gabinete, para vê-lo precisamos visitar obras em andamento. E lá está ele, de botas e jeans surrado se misturando com seu povo. Até que enfim um chefe do Executivo que ama minha Bauru. E esse sentimento está contagiando toda a população, como um exemplo. Todo município tem problemas e é impossível resolver todos eles rapidamente, porém, nesses sete meses o “rapazinho que queria ser vereador” fez mais que seus antecessores, ele “botou a mão na massa” , porque ser prefeito não é opção ou profissão, mas sim vocação.
Kaline Mira