Na cultura japonesa é perfeitamente normal, quando à mesa, a pessoa puxa os pratos e tigelas para próximo do corpo. No Brasil, o mesmo ato é entendido como falta de educação e etiqueta. Esse é um dos pontos de conflito da etiqueta oriental e ocidental. Para orientar os japoneses sobre os costumes brasileiros e vice-versa, a II Semana da Cultura Japonesa chamou a professora Lumi Toyoda, uma especialista no assunto, uma das poucas que domina a etiqueta japonesa e fala em português. Foi ela quem treinou a equipe que recepcionou o príncipe herdeiro do Japão, Naruhito Kotarishi Denka, durante as comemorações do centenário da imigração no Brasil.
Para ela, a etiqueta oriental é totalmente diferente da brasileira com pontos conflitantes. “Eu digo que é totalmente diferente. Tem vários pontos totalmente opostos, a começar pelo cumprimento. Os japoneses são muito recatados. Eles cumprimentam por meio de reverências, não tem contato físico. Não tem aperto de mão, beijinhos, nada.”
Mesmo depois que aprende a cumprimentar com aperto de mão, eles não o fazem como os brasileiros, observa Toyoda. “Isso atrapalha muito os brasileiros que vão fazer contato com japoneses e vice-versa. Não que seja uma ofensa, mas é uma questão cultural. O japonês entende que, saindo do Japão, ele vai ter que fazer o aperto de mão para dar os cumprimentos, mas eles não sabem fazer. Ele não aperta a mão do outro. Para eles, o contato físico é complicado porque ele não tem isso nem no seio familiar.”
À mesa, os contrastes entre uma cultura e outra se afloram a começar pelo uso do hashi (palito feito de madeira ou bambu que substitui o talher). Na opinião da professora, manipular o hashi ainda é um problema para o brasileiro, que depois de dominar passa a utilizá-lo em substituição ao garfo, faca, colher e uma infinidades de talheres, que ficam dispostos em mesas de banquetes.
“Na etiqueta oriental à mesa, o uso do hashi é a primeira coisa que se aprende. Fica mais fácil manipular todos os utensílios. É importante saber usá-lo, especialmente agora que o brasileiro descobriu a gastronomia oriental.”
O que vale para a etiqueta internacional nem sempre é o adotado para a etiqueta oriental, por isso é necessário a orientação certa para não se comportar inadequadamente, frisa a professora. “Os pratos e as tigelinhas que estão à mesa podem ser trazidos próximo do corpo, isso para evitar que suje a mesa. Imagine você pegando um pedaço de peixe ao molho com o hashi. Se a tigelinha estiver longe, o molho vai caindo pelo caminho.”
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Fazendo barulho com a sopa
Para a etiqueta brasileira, sugar líquidos fazendo barulho é falta de educação, para a oriental é um costume amplamente difundido, explica Lumi Toyoda. “É até curioso observar a diferença de costumes. Por isso, quando vou orientar empresários japoneses, que estão a negócios no Brasil, digo para eles evitarem fazer barulho na hora de sorver líquidos, seja bebida ou sopa.”
No caso da sopa, o brasileiro usa a colher e pratos fundos, já o oriental serve a sopa em tigelinha individual que é levada à boca e sugada. Eles não entendem como falta de educação o fato de fazerem barulho. Faz parte da cultura oriental.”
Outra curiosidade do comportamento oriental à mesa, segundo a professora de etiqueta, é durante o consumo de sopa com macarrão. “Eles pegam o macarrão e dão uma sugada com emissão de um som, semelhante a quando você puxa o ar junto com o líquido.”