Tribuna do Leitor

Senado - política viciada


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O Senado é oriundo da antiga democracia grega e desenvolvida no Império Romano. Etimologicamente, senado origina-se do termo Senil, idade provecta, ancião. Justamente o Senado Romano era constituído por membros de idade avançada, eis que o objetivo era a vigência do bom senso, da sabedoria e de tomadas de decisões sem os arroubos da juventude e com a experiência de vida de cada um dos senadores, numa faixa de idade em que se supunha que as vaidades, posições ambíguas e demagógicas não mais se sustentavam. Aurea praxis, sterilis theoria (A experiência vale mais que a ciência). O senado foi criado para ser o palácio indevassável onde residiriam harmoniosamente a ética, a justiça e o bom senso.

Nas modernas democracias, no entanto esse objetivo não é mais uma proposição. O Senado brasileiro, tal como em outros países, é constituído do rebotalho de uma forma de política viciada, onde se verifica que a idade e a experiência desses políticos contribuem para as mais estapafúrdias e perversas ações, portanto na contramão do ideal a que tal instituição foi criada.

A lama que espalha no Congresso Nacional, em especial no Senado está a denegrir de forma contundente a política nacional. Presidentes dessa casa se sucedem: um pior que o outro. Identificam-se com os “cappos” das máfias sicilianas, ou seja, os mais bandidos comandam e chafurdam na lama com tal ferocidade que respingam sujeira nos poucos senadores que ainda se mantém dignos e corretos.

No Império Romano havia uma frase muito utilizada pelos seus membros em relação ao Imperador: Não é suficiente que a mulher de Cesar seja honesta, é necessário que dela ninguém duvide!” Justamente é o que deveríamos exigir dos senhores congressistas.

No entanto, só podemos fazer valer nossa vontade no momento do voto e infelizmente a maioria dos eleitores votam para cumprir uma obrigação legal e depois nem se lembram em quem votou. Dessa despolitização do povo brasileiro nascem os Sarneys, os Collor de Melo, os Renans, suas quadrilhas e seus iguais. Até quando os congressistas abusarão de nossa paciência?

Devanil Botelho

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