“Na medida em que o indivíduo se desenvolve, a comunidade se desenvolve”, diz José Cabral, diretor presidente do Instituto Soma. Ele se refere aos benefícios que o microcrédito e a legalização dos trabalhadores informais podem trazer não só a eles, assim como a micro e pequenos empresários e, conseqüentemente, para a região de Bauru. Estes assuntos serão debatidos em um workshop, nesta sexta-feira, na Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib).
O grande diferencial do microcrédito é o acompanhamento realizado pela empresa que fornece o benefício. “A vantagem é fornecer um crédito qualificado. Não é um crédito livre, mas sim na dose certa visando atender as necessidades do tomador. Além disso há toda a parte social. Quando você concede o microcrédito é oferecido acompanhamento. Você acaba exercendo um resgate do indivíduo. É uma forma de inclusão que acaba resgatando a cidadania do cidadão e ele acaba progredindo no seu empreendimento”, explica Cabral.
As Instituições Microfinanceiras (IMFs) são as empresas que oferecem este tipo de negociação. Juntamente com o montante, que geralmente varia entre R$200,00 e R$5 mil, as IMFs fazem um acompanhamento do cliente visando avaliar se ele empregou os recursos de forma adequada e no projeto para o qual ele foi solicitado. Só cessa esta “assessoria” quando o projeto foi concluído e todo o empréstimo foi pago à instituição.
“Se o tomador cumpre o objetivo e paga em dia, ele provavelmente será habilitado a tomar empréstimos maiores. Até que em algum momento, seu empreendimento cresce tanto que ele sai da abrangência das IMFs e passa a negociar com bancos”, explica Rafael Moron Martins, representante do Instituto de Microcrédito do Instituto Soma.
Milton Aparecido Debiasi, gerente regional do Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), garante que o pequeno empresário é bom pagador. “O recurso fornecido para microcrédito, no entanto, ainda é pequeno, não tem sobras. É preciso disseminá-lo para pequeno empresário, que inclusive tem baixa inadimplência”, afirma.
Segundo estimativas, o Brasil tem 9,5 milhões de microempresas que são responsáveis por 30% do Produto Interno Bruto (PIB), 60% dos postos de trabalho e recebem apenas 10% dos créditos oferecidos pelos bancos oficiais. O microcrédito vem romper esta barreira e melhorar a vida do pequeno empresário. “Toda empresa começa pequena. O microcrédito vem operacionalizar o desenvolvimento dessas empresas”, diz o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Nico Mondelli.
Outro assunto a ser debatido no workshop será o programa governamental Microempreendedor Individual (MEI), lançado no dia 1 de julho, que dá a oportunidade de trabalhadores informais, com renda máxima de R$ 3 mil mensais ou R$ 36 mil anuais, legalizarem-se na atividade profissional que excercem mediante pagamento de taxa mensal que varia de R$ 52,15 a R$ 57,15.
Em Bauru, pesquisa feita pelo Sebrae aponta a existência de 32.289 trabalhadores informais que representam 36% da população economicamente ativa do município.
Para Mondelli, o programa é de extrema importância para o trabalhador informal. “Ele abre a possibilidade da legalização, o que também facilita o crédito. Além disso dá acesso a aposentaria. Esses trabalhadores começam a se tornar cidadãos. Com o evento vamos explicar os intrumentos para ele se legalizar e, depois crescer, com o microcrédito”, diz.
O workshop “A importância das microfinanças no desenvolvimento regional” é uma realização do Instituto Soma, Prefeitura de Bauru e Sebrae. Todos os representantes de entidades ligadas ao microempresariado e dos trabalhadores informais estão convidados a assistir as palestras de José Milton Dallari Soares, diretor de administração e finanças do Sebrae-SP, e de Evanda Burtet Kwitko, diretora da IMF Crear Brasil.
O evento será realizado na sexta-feira, das 8h às 12h, na sede Acib, na rua Bandeirantes, 7-8. Os interessados em participar devem enviar nome, telefone e entidade para o e-mail microcredito @institutosoma.org.br. As inscrições são gratuitas e limitadas a 120 participantes. Mais informações pelo telefone (14)3227-4367.
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Sistema indiano
A estratégia do microcrédito foi sistematizada na década de 70 por Muhammad Yunus, economista de Bangladesh (Índia), e criador do Grameen Bank – um banco que opera com empréstimos de US$ 100, em média, sempre com finalidade produtiva. O banco empresta sem garantias nem papéis e é procurado, sobretudo, por mulheres. Elas são 97% dos 6,6 milhões de beneficiários. A taxa de recuperação é de 98,85%.
Operando a juros de mercado, com inadimplência quase zero e mais de US$ 500 milhões de dólares emprestados, em 1996, aos mais pobres dos pobres de Bangladesh, o Grameen apresenta um impacto sócio-econômico e cultural positivo em relação à redução da pobreza no país. A iniciativa de Yunus lhe rendeu o Nobel da Paz em 2006.