Regional

Polícia de Agudos prende 4 e apreende 165 kg de maconha

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Agudos - Uma quadrilha especializada na venda por atacado de maconha foi descoberta ontem na cidade de Agudos (13 quilômetros de Bauru). Em uma residência do bairro Santa Cândida, a Polícia Civil encontrou cinco isopores ‘recheados’ de tijolos da droga que somaram aproximadamente 165 quilos, avaliados em aproximadamente R$ 70 mil.

O gerente do “atacadão da droga”, A.E.O (somente as iniciais foram divulgadas pela polícia) era um preso que havia abandonado o Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru em maio do ano passado. No “depósito” a polícia apreendeu ainda, cinco celulares, dinheiro, balanças, embalagens, documentos falsos e uma agenda que poderá dar início a novas investigações.

A quadrilha, segundo suspeita a polícia, distribuía a droga para a região de Lins, Gália, Garça e tinha um esquema próprio de agir, fazia os pagamentos com carro NP (não pagos) que levados para o Paraguai voltavam a valer o preço real.

Todos os presos, uma mulher e três homens eram da região de Itapeva. As investigações, que duraram cerca de 25 dias, apuraram que a chácara do bairro Santa Cândida funcionava como um depósito para venda da droga no atacado, o que dificultou o trabalho policial, pois não havia movimentação de pessoas.

No local, foram presos a jovem L.A.R., de 26 anos, que não tem antecedentes criminais, e C.A.R., 37 anos, que também não tem passagens pela polícia. Só A.E.O., foragido do sistema semi-aberto, é que estava prestes a terminar sua pena por roubo e porte ilegal de arma.

Segundo o delegado Eduardo Herrera, durante o período de investigação foram feitas várias observações na residência usada como “depósito” da droga. “Eles eram bem discretos e estavam tão sossegados que nem armas tinham no local.”

Além da droga, que de acordo com Herrera, estava nos isopores prontos para a entrega, com peso exato marcado em cada um dos tijolos, foram apreendidas três balanças, uma delas de precisão, um Fiat Palio, cinco celulares e R$ 1.600,00 em dinheiro. Também havia vários rolos de papel alumínio e papel filme.

Para o delegado, as investigações continuam para verificar o envolvimentos de outras pessoas da região, possivelmente de Lins. “Estamos em contato com a delegacia seccional de lá para dar continuidade ao trabalho investigativo.”

Uma casinha na chácara

O bairro Santa Cândida de Agudos é praticamente só chácaras. Por questão de segurança, os muros são altos e os proprietários freqüentam o local mais em finais de semana e feriados, não se preocupando com o vizinho. O local tem fácil acesso para saída, por essas razões, era ideal para servir de “depósito do atacadão de maconha”.

Segundo a polícia, durante as investigações, os vizinhos alegaram desconhecer as atividades dos moradores da rua Lourival Ramos dos Santos, 423, uma vez que, raramente, eram vistos. A casa de quatro cômodos, com vasto quintal de árvores frutíferas, era alugada, provavelmente, para um “laranja”.

Para despistar a polícia, os acusados mantinham uma horta com alface já em produção e um canteiro de mudas a serem replantadas. Tomates cerejas e mandioca faziam parte da horta. Mas quem entrava na casa sentia o forte odor de maconha. Nos quartos e na cozinha tinham pacotes da droga escondidos. Em um dos quartos, dois isopores eram usados como criado mudo, inclusive coberto com uma toalha.

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Maior apreensão de droga

A localização dos 170 tijolos de maconha é, sem dúvida, a maior apreensão de drogas do ano na cidade de Agudos. A.E.O., não ficava na casa, estava foragido da justiça e morava em um quarto e banheiro, atrás de uma construção na área central da cidade.

Segundo a polícia, os quatro responderão inquérito por tráfico e associação para o tráfico, além de uso de documentos falso. A documentação comprova para a polícia um esquema pouco conhecido que envolve traficantes de grande porte.

O esquema consistia em adquirir veículos conhecidos no mercado por NP (não pagos), aqueles que estão com pendências judiciais com busca e apreensão, por preço muito abaixo do valor real. Até que a Justiça encontrasse o veículo para fazer a busca, A.E.O. usava o veículo para pagar a droga. “O carro virava moeda de troca”, explica Herrera.

O traficante maior pegava o carro como pagamento e mandava levar para a região Nordeste do país ou para o vizinho Paraguai. “Lá o carro ou moto eram revendidos pelo preço aproximado do real valor. Um carro que vale R$ 30 mil, por exemplo, pagava maconha no valor de R$ 5 mil. O fornecedor pega o veículo e leva para um desses locais onde o carro pode voltar a valer algo em torno dos R$ 30 mil. Ele ganha na venda da maconha e na do veículo, ou seja, ganhava duas vezes.”

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