Foi em clima de descontração e um “quê” de ansiedade que o grupo Detonautas Roque Clube recebeu a imprensa, durante sua passagem por Bauru, para falar sobre o primeiro trabalho acústico da banda. Os fãs da cidade, primeira a receber a nova turnê, puderam conferir, na última sexta, todas as faixas do CD e DVD, que chega às lojas nesta semana.
Mesmo aos 12 anos de carreira e quatro CDs, sempre de inéditas, talvez o grupo ainda esperasse mais para lançar o acústico. O resultado deste novo trabalho é, segundo o vocalista Tico Santa Cruz, fruto de um desejo antigo dos fãs da banda. “Talvez se estivéssemos fazendo uma opção por conta própria, a gente adiasse um pouco. Mas, de qualquer forma, achamos que ele veio em uma boa hora”, afirma o músico.
Mesmo trazendo os principais sucessos da banda - 20 faixas compõem o DVD no total -, o grupo fez questão de preparar versões bem diferentes das já lançadas. “É a primeira vez que fazemos esse formato e o disco resume a história da banda, com canções com uma roupagem bem diferente das que a gente já apresentou. Mesmo os singles da nossa carreira que já haviam ganhado uma versão acústica, estão com uma pegada diferente da lançada anteriormente”, avalia.
Além de hits como “Olhos Certos”, “O Dia Que Não Terminou”, “Dia Comum”, “Quando o Sol Se For”, “Outro Lugar” e “O Retorno de Saturno”, música-título do álbum anterior e que abre o novo DVD, o trabalho traz as inéditas “O Inferno São os Outros” e “Só Nós 2”. “A primeira, já nas rádios, é uma canção inspirada na peça de Sartre “Entre Quatro Paredes”. Já “Só Nós 2” é uma canção de amor que tem uma levada bem dançante, que remete bastante a uma influência de jovem guarda, mais anos 60”, resume.
“Esse acústico proporcionou podermos trabalhar mais o suingue da banda, levadas diferentes e, acima de tudo, acrescentar elementos de música brasileira, que estão mais presentes dentro do nosso trabalho atualmente”, completa.
O acústico conta ainda com o som do novo integrante Philippe, oficialmente na banda desde o final de 2008. “Ele já estava com a gente há um tempo. Mas em “Retorno de Saturno” (primeiro trabalho sem o guitarrista Rodrigo Netto) achamos que era um momento só de nós cinco, além de um desafio para mim como guitarrista”, comenta Renato Rocha. “As coisas foram evoluindo, nós amadurecendo e o Philippe conquistando o espaço dele. Além da necessidade que sentíamos de mais uma guitarra”, resume. O Detonautas é completado por Fábio Brasil, Tchello e Cleston.
Quanto a abertura da turnê em Bauru, Tico diz fazer parte, talvez, de um ciclo da banda. “O primeiro lugar que fizemos show na nossa carreira, fora do Rio de Janeiro, foi em Bauru, no Armazén Bar, em 1998. Talvez a razão para esse show nosso ter sido aqui é porque vocês foram os primeiros a se interessar. Mas para nós, isso tem um significado do ponto de vista de sinais que recebemos”, considera.
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Música e política
As questões políticas e sociais sempre estiveram presentes no trabalho do Detonautas, mesmo antes da perda do guitarrista Rodrigo Netto, morto durante um assalto em junho de 2006. “Como artista temos esse lado de cidadão que vale a pena ser compartilhado com os fãs, até para que eles possam ter uma outra forma de enxergar o trabalho musical”, considera Tico.
“Mas vale lembrar que esse não é o mote da banda. Em conversas nossas e experiências que tivemos na estrada, chegamos à conclusão que podemos sim abordar, por meio da música, essas questões. Mas a banda é formada por seis pessoas e tem que representar as idéias dessas seis pessoas”, ressalva.
É no blog particular e twitter - onde está entre os mais seguidos - que Tico expressa suas opiniões para o público. “A Internet sempre foi a ferramenta principal de divulgação do Detonautas. Eu gosto muito do twitter porque ele me dá uma facilidade de comunicação com um grande número de pessoas muito rápido”, considera.
Sempre tecendo comentários críticos, fruto de algumas polêmicas, Tico vê na ferramenta a possibilidade de dizer coisas que talvez não tivessem espaço na grande mídia. “Eu não preciso mais de intermediários, embora eu reconheça o valor das rádios, dos jornais, da mídia em geral para chegar nas pessoas. Mas hoje eu consigo, por meio das minhas ferramentas particulares, tratar de assuntos que talvez fossem editados ou censurados em alguns meios de comunicação, que não estão tão abertos a discussões sobre política, drogas ou outros assuntos que são polêmicos”, afirma.