Os filhos e os netos cresceram e seguiram rumos diferentes e, para não ficar sozinho, o casal bauruense Terezinha e Mário Piubelli, que mora no Higienópolis, resolveu adotar um coelho. Casados há 54 anos, esta é a primeira vez que eles têm um coelho morando dentro de casa, como se fosse um cachorro ou um gato.
O animal recebeu o nome de Kiko, escolhido por Terezinha, e está com o casal há quase seis meses. “Tínhamos coelho no sítio, mas em casa é a primeira vez. Pegamos ele desde que nasceu. Os filhos crescem e vão embora, os netos também, e ter um animal faz muito bem para o psicológico”, afirma Mário.
Quando questionado o porquê de um coelho como animal de estimação ao invés de um cachorro ou um gato, Mário afirma que, além de dócil, o coelho é higiênico, brinca normalmente e economicamente custa menos. “Apesar de ser novo, o Kiko é muito apegado com a gente. Pula no colo, lambe os nossos pés, é muito carinho”, revela.
Em média, um coelho vive oito anos e sua alimentação consiste de ração, verduras verde-escuras e cenoura crua. “A alimentação do coelho é bem mais barata, pois muitas vezes é possível conseguir de graça nas feiras livres. Além disso, a quantidade de ração que o coelho come é muito pequena se comparada com o consumo de cachorro”, revela Mário.
“Também não é preciso muito espaço, não precisa levar para passear e sujar as ruas e o coelho não ataca ninguém. Como o gato, ele também se limpa com lambidas”, acrescenta. Segundo Mário, o coelho possui um instinto muito ativo e, se bem educado, desde filhote, se torna um animal meigo, carinhoso, principalmente para a terceira idade.
“Se educado, ele respeita os jardins. Este é o caso de Kiko que adora passear pelas orquídeas da minha casa”, finaliza. Mas, como todo animal de estimação, o coelho precisa de cuidados especiais. Segundo Carlos Roberto Montaffier, médico veterinário, o coelho precisa de local apropriado, pois sua urina e as fezes são fortes. “Existe uma gaiola especial com uma gaveta que abriga as excreções. Esta gaveta deve ser limpa diariamente, senão o proprietário do animal não agüenta o odor”, explica.
Além disso, o animal que fica solto corre o risco de fugir por vãos de portão ou até mesmo cavando um buraco. “Para quem tem cão em casa, os cuidados devem ser redobrados, já que o coelho é uma ótima presa para o canino”, afirma.
Outro cuidado é com as doenças, pois não há vacinação regular para coelhos. “E eles podem transmitir doenças perigosas, até mesmo consideradas exóticas. Sem contar que o coelho pode ter problemas como sarna dentro do ouvido. Por isso, antes de adotar um animal, é preciso consultar um especialista”, aconselha Montaffier.
De acordo com o médico veterinário, o coelho também precisa de bebedouro especial, pois ele não consegue tomar água de uma vasilha comum. A alimentação também tem que ser adequada, já que ele tem intestino com características diferentes do cachorro e do gato. “A ração para coelho pode ser encontrada nas lojas especializadas. Se estes cuidados não forem tomados, o coelho pode transmitir até leishmaniose. Agora, se todos as dicas forem seguidas à risca, o animal se torna um bicho alegre e muito bagunceiro”, finaliza Montaffier.