A adequação do Aeroporto Moussa Tobias, localizado na divisa entre Bauru e Arealva, de terminal de passageiros para transporte de cargas não depende somente de concessão em estudo pelo governo do Estado, mas da necessidade de investimento de, pelo menos, R$ 40 milhões para adequar a pista para suportar cargas compatíveis. A informação está em relatório de posse do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), há mais de um ano.
A informação é conhecida da Infraero, que analisa, há mais de um mês, a viabilidade de incluir 31 aeroportos regionais em programa de concessão. O Estado solicitou ao órgão federal autorização para que todos os aeroportos regionais operados pelo Daesp sejam incluídos em programa de concessão.
Mas a viabilidade operacional do aeroporto para cargas, ao contrário do atual uso limitado (ainda sem aparelhos) a vôos comerciais e encomendas de peso leve, depende de ampliação do comprimento da pista e de intervenção na capacidade de carga do piso (PCN).
O relatório do Daesp detalha informações de padronização técnica, dos estágios de aprovação para se obter homologação para o transporte de cargas e dos investimentos necessários em cada etapa. O documento retrata que as características atuais da pista de pouso do aeroporto de Bauru atendem à dimensão de 2.100 metros de cumprimento por 45 metros de largura, a uma altitude de 593,80 metros e capacidade de suporte do pavimento de 42 toneladas (PCN), adequado para aeronaves com envergadura de 24 a 36 metros (tipo B737-900 e A320) para operações diurnas e noturnas.
Entretanto, para a operação com cargueiros, a situação atual limita o peso de decolagem a 65 mil quilos, sendo que o peso operacional vazio da aeronave situa-se em 42.901 quilos. Com isso, os dados técnicos são de que em um vôo sem escalas em trecho para Bauru-Brasília as restrições estariam entre 30% a 40% na carga paga, o que exige investimentos para adequação aos parâmetros do segmento.
Ou seja, o levantamento aponta que apenas a ampliação da pista em mais 700 metros e readequação e reforço do pavimento de pouso exigiriam mais de R$ 12,5 milhões, isso para decolagens com resistência do piso para 64 toneladas, conforme a demanda do setor cargueiro.
Os valores apresentados no levantamento não são os atuais. Ou seja, os recursos são superiores ao que foi apontado no relatório, a mais de um ano. Segundo o estudo, as edificações de apoio operacional para cargas com torre custam pelo menos mais R$ 1,5 milhão, a construção do pátio de carga exige outros R$ 10,9 milhões e os equipamentos de auxílio e proteção ao vôo custam R$ 1 milhão, somando R$ 25,9 milhões.
O estudo aponta necessidade de adequação da pista em duas etapas, com as instalações complementares mencionadas acima. A primeira etapa envolveria ampliar a pista dos atuais 2,1 mil para 2,7 mil metros, cujo processo já conta com licenciamento ambiental. Nesta situação, o aeroporto de Bauru teria condições de operar com peso de decolagem equivalente a uma aeronave MD-11F com peso de 225 mil quilos, ampliando para 77% o aproveitamento da carga paga para trecho de Bauru a Manaus, por exemplo.
A segunda etapa do projeto prevê ampliar a pista de pouso para 3,1 mil metros, com disponibilidade para uso por aeronaves de envergadura de 36 a 52 metros. O peso máximo de decolagem, neste caso, passaria para 272 mil quilos, viabilizando 100% de aproveitamento da carga até Manaus e, inclusive, vôos internacionais como para Bogotá, na Colômbia e pelo menos 80% para vôos para Miami (Estados Unidos), por exemplo. A área onde está instalado o aeroporto conta com 446 hectares para instalações.
De outro lado, mesmo com as intervenções apontadas, o custo do investimento para uso como terminal do aeroporto Bauru-Arealva é infinitamente inferior ao projeto que o governo federal insiste em discutir para o Aeroporto de Viracopos, em Campinas, ainda que naquele equipamento destinado a absorver demanda de passageiros de Cumbica (Guarulhos). O projeto de Viracopos é de exagerados R$ 6 bilhões, conforme reafirmou o presidente da Comissão Metropolitana de Viracopos, o vereador por Indaiatuba (SP), Bruno Ganem (PV), que discutiu o assunto anteontem em Bauru. A comissão defende que a descentralização dos investimentos aeroviários contemple o terminal de cargas em Bauru, com aporte apenas de R$ 40 milhões, se o caso for comparado ao caso de Viracopos.