Cabul - O presidente do Afeganistão e candidato à reeleição, Hamid Karzai, quebrou o silêncio dos últimos dias e disse, ontem, que o movimento fundamentalista islâmico Taleban não conseguirá destruir as eleições de hoje. Mais cedo, militantes do grupo enfrentaram policiais, no centro da capital Cabul, e ameaçaram bloquear rodovias.
“Eu espero que, amanhã, nossos homens do campo, milhões deles, venham e votem pela estabilidade do nosso país, pela paz do nosso país e pelo progresso do nosso país”, afirmou Karzai em uma cerimônia realizada ontem em comemoração pelo feriado do Dia da Independência. “Nossos inimigos fazem tudo o que podem, mas não vai adiantar.”
Pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente apontam que Karzai deverá liderar a disputa, porém não obterá votos necessários - mais de 50% - para evitar um segundo turno.
Mais cedo, em comunicado, o Taleban havia afirmado ter infiltrado 20 homens equipados com coletes-bomba em Cabul e ter bloqueado as rodovias principais e secundárias do Afeganistão, para impedir o acesso de eleitores às urnas. “Os mujahideen não irão se responsabilizar por quem for ferido”, afirma o texto.
Ontem, um grupo de homens armados atacou uma agência bancária, no centro de Cabul. Os agentes de segurança afegãos cercaram o prédio e iniciaram um tiroteio que durou várias horas. No final, três agentes de segurança estavam feridos, e corpos de três suspeitos foram localizados. Um porta-voz do Taleban afirmou que o grupo foi mesmo autor do ataque, porém disse que havia cinco homens envolvidos.
“Nenhuma eleição é perfeita. Não espere uma eleição perfeita”, disse o enviado do governo americano à região, Richard Holbrooke, que visita o vizinho Paquistão. “Essa eleição é difícil, porque acontece em tempos de guerra. Não sabemos ainda quantos locais de votação ficarão fechados por causa da segurança. O Taleban disse que ir fechar todos, mas não sei quantos eles realmente conseguirão fechar.”
De acordo com o porta-voz da Otan brigadeiro-geral E. Tremblay, a média de atentados diários no Afeganistão subiu de 32 para 48 nos últimos dias, provavelmente por causa das eleições. Ele ressaltou, no entanto, que a maioria dos quase 7.000 locais de votação estão seguros. “Se você olhar simplesmente as estatísticas... eles não serão capazes de atacar bem 1% de todos os locais de votação do país.”