Estive recentemente em Santa Catarina e tiva a oportunidade de ler um artigo no jornal local escrito por um professor que tratava do tema acima citado. Por considerar estar esse muito em evidência e pelo importante conteúdo, vou reproduzir abaixo conforme meu entendimento. Diz o ilutre professor que:
Ouvindo diariamente e em toda parte conselhos para que trocasse as famosas sacolas plásticas dos supermercados pelas não menos famosas sacolas ecológicas, considerando tal substituição um ato de cidadania e demonstração de consciência ecológica. Diante de tanto alarde sobre o tema, ele diz assumir o risco de confessar que, além de não usar sacola ecológica, faz questão de colocar suas compras nas sacolinhas plásticas.
E justifica tal opção. Primeiramente, dizendo que as sacolinhas do supermercado cabem como uma luva em todas as lixeiras de sua casa, enquanto aqueles sacos para lixo deixam um espaço que acaba por ser usado para dar um nó. Resumindo: se eu não usar sacolinhas de supermercado para o lixo, teria que usar outro tipo de saco (o comprado), o que não melhora em nada o seu comportamento ecológico.
Ainda, diz tentar se imaginar fazendo a feira e colocando suas saborosas frutas e verduras naquelas delicadas sacolas ecológicas. Não há engenharia de empilhamento que faça as frutas do fundo chegarem ilesas ao destino, a não ser que compre só coco. Aquelas sacolinhas foram feitas com exatidão para se colocar a banana do lado da maçã e a uva junto com as verduras, dentre outras combinações.
E afirma ainda que é evidente que os supermercados serão sempre os primeiros a incentivar o uso das sacolas ecológicas e justifica esta afirmação com quatro - deve haver mais - motivos para que o façam: 1) vendem mais sacos de lixo; 2) vendem mais sacolas ecológicas; 3) economizam com as sacolas plásticas; 4) assumem perante a sociedade uma imagem de “empresa do bem”.
Ele ainda lembra que, em vez desta ladainha toda de sacola ecológica, poderíamos tomar medidas que realmente surtiriam algum efeito em nosso meio ambiente. Que tal privilegiar a alimentação baseada em legumes, frutas e verduras? Parece pouco? Vejam algumas vantagens com esta mudança de hábito: 1) redução de consumo de produtos embalados (menos embalagens, menos lixo); 2) melhora da qualidade de vida, reduzindo o consumo de medicamentos, que utilizam muita embalagem; 3) estímulo à produção agrícola, reduzindo o êxodo rural e aliviando a superlotação dos grandes centros.
E pergunta por que que estas ações não são largamente incentivadas? Porque a produção agrícola não gera o lucro que gera a produção industrial, que, além de vender o produto que consumimos, vende toneladas de embalagens plásticas, que cabem perfeitamente em sacolas ecológicas. Contudo, ele afirma aos leitores concordar que a troca das sacolas ajuda na preservação do nosso planeta, mas diz também que esta afirmação não é verdadeira sempre, tampouco somente esta ação resolve o problema. O que não acha correto é o moralismo exacerbado dispensado ao tema.
Neusa Dainesi