Apesar de ser um dos segmentos que mais consomem informação no Brasil, o idoso ainda não é visto como deveria pela maioria dos veículos tradicionais de comunicação. Independentemente do formato utilizado, a maioria dos veículos, conforme especialistas que participaram anteontem do “1.º Encontro de Comunicação e Cidadania - A terceira Idade e Os Meios de Comunicação, a imagem do idoso na sociedade”, organizado pela Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru, ainda não “fala” a língua desse público.
“Os meios de comunicação ainda não pautam suficientemente o tema da terceira idade”, afirma o professor Pedro Celso Campos, coordenador de ensino de jornalismo na Unesp em Bauru. “Quando se referem aos idosos, os meios de comunicação quase nunca falam sobre seu modo de ver o mundo. Ele nunca é a fonte”, lamenta o professor, coordenador do grupo de pesquisa Idosomídia, vinculado à universidade.
Para o professor Francisco Sierra Caballero, decano da Faculdade de Comunicação da Universidade de Sevilha, na Espanha, instituição de referência no atendimento à terceira idade, apesar dessa deficiência quanto à comunicação é possível observar alguns avanços nesse quesito tanto no Brasil quanto na Península Ibérica, principalmente mediante ações governamentais e de instituições, como as universidades.
Entretanto, ressalta Caballero, que fez a palestra de abertura do evento, ainda existe um longo caminho para que o público idoso se sinta efetivamente representado nos mais variados meios de mídia.
“No Brasil, existe uma presença dos idosos na publicidade. Na Espanha isso é muito escasso”, compara. “Quando as imagens são positivas é porque são personagens públicos. Mas a população idosa, em geral, não aparece”, constata.
Segundo ele, uma das chaves para transformar essa realidade é a sensibilização dos próprios comunicadores. “O primeiro aspecto é sobre a formação cultural dos jornalistas, que precisam ter mais sensibilidade com as minorias”, atenta. “A segunda questão é a universidade criar métodos e atividades, levando a cidadania através dos meios universitários. Já em terceiro aparecem as novas tecnologias”, enumera.
Caballero defende que os meios digitais, apesar de grande parte do público ainda não ter acesso às vias eletrônicas de informação, são instrumentos eficazes de inclusão e disponibilização de conteúdo específico. “Está comprovado que novas ferramentas trazem benefícios. Novas tecnologias para idosos são um caminho que temos para o futuro, uma experiência muito positiva”, argumenta.
Entretanto, salienta o professor, mesmo com o advento de novas tecnologias os meios tradicionais têm de se adaptar ao público da terceira idade. “A segmentação é necessária. Mas, além dos meios próprios, também é preciso espaço nos meios comuns. Ambos se complementam e são necessários. O importante é que o idoso esteja representado de forma mais positiva”, acentua Caballero ao criticar a estereotipação do idoso na mídia.
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Comunicação e cidadania
O encontro sobre comunicação e terceira idade foi aberto com apresentação do coral da Universidade Aberta da Terceira Idade (Uati) da Universidade do Sagrado Coração (USC) e encerrado com o coral da Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati) da Universidade de São Paulo (USP).
O evento também teve a participação da professora Beltrina Corte, do programa de Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Segundo ela, em muitos casos, o idoso é tratado pela imprensa com algum tipo de preconceito ou com palavras que revelam o estereótipo de fragilidade. Ela criticou o olhar tradicional sobre o envelhecimento como fenômeno anônimo e massificado.
As atividades empreendidas pelos programas de Universidade Aberta a Terceira Idade (Unatis) da USP e Unesp, assim como a Uati, mantida pela USC, em Bauru, foram destacadas por meio de depoimentos durante o encontro, que também contou com a participação da secretária municipal do Bem-Estar Social de Bauru, Darlene Martin Tendolo. Na oportunidade, ela destacou que a cidade tem, aproximadamente, 40 mil idosos e que essa população tende a crescer 17% nos próximos anos.