Os preços atraentes dos seguros de automóveis, resultado da disputa das seguradoras por clientes, acabou em Bauru. Com uma frota em torno de 200 mil veículos, a cidade é um bom mercado para o ramo de seguro de automóveis, mas na hora de renovar a apólice o dono do carro vai pagar entre 8% e 10% a mais do que desembolsou no ano passado.
O diretor Regional do Sindicato dos Corretores de Seguros (Sincor-SP) em Bauru, Fernando Alvarez, descarta a hipótese do aumento do valor dos seguros ser conseqüência da crise financeira mundial. “A crise econômica pouco afetou o setor, pois com crise ou sem crise os acidentes acontecem com freqüência. As seguradoras têm consciência dos riscos que os proprietários de veículos correm”, salienta.
Alvarez afirma que o reajuste no seguro de veículos se deve a vários fatores. Um deles é o aumento de acidentes, fato diretamente ligado à frota de veículos, que cresce a cada dia. Com mais carros nas ruas, maior a probabilidade de se envolver em acidente e, portanto, da seguradora ser acionada para pagar o conserto dos veículos envolvidos. Outro fator é a criminalidade: o índice de roubo e furto de veículos. Quanto maior o risco de se ter um carro roubado em determinada localidade, mais caro é o seguro.
A estratégia das seguradoras para manter o cliente é analisar caso a caso. “Algumas seguradoras, hoje, conseguem manter o mesmo preço do ano passado caso o segurado não tenha usado o seguro. Também procuram novos clientes oferecendo diferentes produtos e benefícios dentro da apólice contratada”, ressalta Alvarez.
A disputa por clientes levou as seguradoras a manter os mesmos preços por um longo período, explica. Foram cerca de quatro anos sem grandes alterações nos valores das apólices. Porém, agora, o segmento de seguros de veículos passa por uma recomposição de preços para evitar perdas financeiras que inviabilizem o negócio, afirma.
Alvarez comenta que levantamento de maio da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostra que, de cada R$ 100,00 arrecadados com seguro, R$ 67,00 destinavam-se para cobertura de sinistros. No mesmo mês de 2008, eram R$ 65,00. Ou seja, a margem de lucro das empresas caiu.
“O setor trabalha, historicamente, com 70% dos prêmios direcionados a pagamento dos sinistros. Portanto, as seguradoras ainda não estão recuperando a margem de lucro”, afirma, referindo-se ao reajuste.
Alvarez conta que, para conquistar clientes, algumas seguradoras acabam praticando um preço menor que a média de outras que já estão no mercado. “Forçando, assim, algumas a manterem os preços para não perder a carteira de clientes. Os clientes é sempre, precisa, solicitar a opinião de seu corretor de seguros”, sugere o representante regional do Sincor-SP.
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‘Custo da violência’ ameaça preço da apólice em Bauru
O preço de seguro de automóveis em Campinas e em São Paulo é maior por conta da taxa de violência, principalmente furto e roubo de carros, que é mais alta que em cidades do Interior do Estado. Em Bauru, a violência ainda não é um item que impacta muito no preço do seguro, segundo Fernando Alvarez, diretor regional do Sincor.
Mas ele lembra que o crescimento no número de furto e roubo de veículos na cidade, conseqüentemente, fará com que as seguradoras reavaliem suas tabelas de preços.
Alvarez defende que a contratação de serviços seja feita com um profissional corretor. Ele entende que o cliente pode tirar vantagens com uma orientação que identifique seu perfil com as melhores coberturas e empresas seguradoras.