Pederneiras, Bauru e Agudos recebem apresentações de grupos de fandango, folia de reis, catira e taiko, no 1.º Encontro de Culturas, que vai de hoje a domingo, com um dia em cada cidade. O evento é uma realização das três prefeituras, em parceria com a administração do município de Cananéia, que envia à região o Grupo Fandango Caiçara.
As quatro atrações revezam-se em apresentações nas cidades participantes, sempre das 18h às 21h. Hoje, a antiga Estação Ferroviária de Pederneiras recebe a catira e o fandango. Amanhã, no Parque Vitória Régia, em Bauru, os quatro grupos fazem apresentações. No domingo, o evento será encerrado com fandango e taiko, no Paço Municipal de Agudos.
Caiçaras nativos residentes do bairro Marujá no Parque Estadual da Ilha do Cardoso, litoral sul de São Paulo, a família Neves tem o fandango como herança deixada por seus antepassados, com quem aprenderam a arte e, principalmente, a gostar dela.
A maior parte das músicas cantadas no fandango não possui autor conhecido, já que são consideradas muito antigas pelos tocadores. Além delas, o grupo de Marujá traz canções que retratam o cotidiano e costumes locais.
“Falamos da pesca, da nossa cultura, de amor e um pouco de tudo”, comenta o fandangueiro Isidoro, durante visita do grupo ao JC, onde tocaram algumas de suas canções. O primeiro CD dos Neves deve sair até outubro, com cerca de 15 faixas.
Juntos há cinco anos como grupo, o Fandango Caiçara é formado por Salvador (viola), Marcos (viola), Valdemir (charango), Laurinei (rabeca) e Tiago (pandeiro), além de Isidoro, responsável pelo bumbo. Todos os instrumentos são confeccionados por artesãos da comunidade com caxeta, uma madeira típica da região.
O fandango é fortemente associado ao modo de vida caiçara e sua prática sempre esteve vinculada a organização de trabalhos coletivos, onde o organizador oferecia como pagamento aos ajudantes voluntários, um fandango, espécie de baile com comida farta.
“Moramos longe, mas fizemos questão de vir. Essa é uma porta que se abre não apenas para o grupo, mas, especialmente, para o fandango. Todos terão oportunidade de conhecer um pouco mais sobre essa cultura”, convida.
Segundo Isidoro, é através de encontros e iniciativas como o Museu Vivo do Fandango - projeto que, desde 2005, visa evidenciar e fortalecer grupos e pessoas ligadas a essa manifestação cultural - que o fandango irá sobreviver. “É passando de pai para filho e à todos aqueles que quiserem conhecer que conseguiremos manter viva a tradição”, considera.
Todas as apresentações na região têm entrada gratuita. Mais informações pelo telefone (14) 3235-1088.