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Formação de pai

Élida T M Yonamine
| Tempo de leitura: 2 min

Estava em um restaurante da cidade em um dia desses e pessoas na mesa ao lado chamaram minha atenção. Eram três mesas juntas. Em uma delas estava a mãe, seu filho com, aproximadamente, 7 anos, e a filha, com cerca de 2 anos. Na mesa ao lado, estavam a bolsa, a sacola de fraldas e as mamadeiras. Na terceira mesa estava o pai. Eu não vi, em nenhum momento, a mãe comendo, pois ela dava comida na boca de seu filho de 7 anos. Enquanto ele mastigava, era a vez de matar a fome da criança menor.

Enquanto isso, o pai comia vagarosamente a sua refeição, enquanto falava com a esposa, que, na verdade, não conseguia prestar atenção no que ele falava, já que, cada vez que a boca de um dos filhos estava sem comida, um deles reclamava. E o pai, depois de acabar a sua refeição, foi ao interior do restaurante e voltou com um delicioso sorvete, enquanto a mãe acabava de dar comida no bico de seus filhotes... Assim que acabou de servir a refeição aos filhos, ela gentilmente levantou e também buscou sorvetes, só que não para ela, mas para os filhos... Deu o sorvete à filha menor, que o tomou sozinha e deu ao filho, que, em alguns instantes, estava com dificuldades de tomá-lo sozinho. A mãe pegou o sorvete e deu em sua boca, como fez anteriormente com a comida. Será que ela percebeu a atitude de seu marido e não conseguiu vislumbrar que seu filho será como ele, num futuro próximo? Achando que tudo deve ser feito pra ele e por ele, e que ele não precisa se preocupar com o bem-estar dos outros? Ou será que tudo isso foi presente do Dia dos Pais? Tomara que sim, pois era a véspera!

A autora, Élida T M Yonamine, é jornalista

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