Praticamente 10% da população bauruense é formada por trabalhadores informais. O Sebrae estima que eles somem na cidade 32.294 pessoas, no mínimo. Embora gerem o próprio emprego, ainda sobrevivem à margem da sociedade. Há, inclusive, quem confunda informalidade com ilegalidade. A condição lhes impõe receio em relação às instituições financeiras privadas e públicas. Mas a situação está na iminência de mudar.
Desde de 1 de julho deste ano, eles têm direito a condições especiais para se transformar empreendedores individuais (MEI) legalizados. Também têm disponível microcrédito do Instituto Soma. A nova realidade foi discutida ontem, na sede da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib).
“Em 45 dias, a gente estima que o nosso pessoal esteja capacitado para atender a demanda por microcrédito, que se destina ao empreendedor do pequeno negócio, seja da formalidade ou da informalidade”, diz José Cabral, presidente do Instituto Soma.
Os interessados, no entanto, terão de estar abertos às orientações prestadas pela própria instituição, que cobrará juros de mercado. O instituto se arriscará numa área ainda evitada pelas grandes instituições financeiras, que exigem garantias para liberar recursos a esse público. Tais garantias, inclusive, estão entre os principais obstáculos para empréstimo de dinheiro.
“Vamos exigir um aval, seja de um conhecido dele ou um aval solidário, em que duas ou três pessoas se utilizam do crédito e trocam avais. Cada um fica responsável pelo outro, pelo menos responsável moral”, acrescenta Cabral. Na opinião dele, não existe risco zero para a instituição que empresta dinheiro. Mas é possível reduzi-lo justamente por meio do acompanhamento. Experiências no ramo dão conta de que a inadimplência gira em torno de 3% e as perdas em 2%.
“O objetivo do Instituto Soma é o desenvolvimento local, regional e o combate à pobreza. Para não fugir do objetivo do instituto, o componente social tem de estar presente”, afirma. Pesquisa recente do Sebrae Nacional aponta a existência de 9,5 milhões de empreendedores de negócios de pequeno porte aptos a tomar dinheiro emprestado, se as condições lhe forem favoráveis. A pesquisa deu conta que 13 milhões de brasileiros não têm acesso aos serviços bancários do sistema convencional. “A proposta do Instituto Soma é muito importante porque atende uma população que está completamente à margem da economia. Trata-se de um meio de inseri-la, de dar a ela uma oportunidade de tornar-se respeitada, sem precisar trabalhar escondido e sem estrutura. A pessoa se sente valorizada, importante, quer progredir com seu trabalho. O resgate da auto-estima é o principal fator”, conclui o anfitrião Cássio Carvalho, presidente da Acib.
• Serviço
Outras informações podem ser obtidas no site: www.institutosoma.org.br ou pelo telefone (14) 3227-4367.
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Nenhum autônomo aderiu ao MEI
Apenas nove autônomos procuraram a regional de Bauru da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) para aderir ao programa de Microempreendedor Individual (MEI) nas duas primeiras semanas do sistema. Dos inscritos, nenhum profissional é de Bauru - todos são da região.
O trabalhador informal que fizer parte do programa irá pagar contribuição mensal única, que varia de R$ 52,15 a R$ 57,15, de acordo com a área de atuação. Em troca, poderá tirar CNPJ e terá direito a benefícios do INSS: salário-maternidade, auxílio-doença, aposentadoria por idade, aposentadoria por invalidez e a família fica protegida com pensão por morte e auxílio-reclusão. Podem participar profissionais com renda de até R$ 36 mil por ano.