O monitoramento da chuva é estratégico para o planejamento de ações nas usinas hidrelétricas. A previsão funciona como o botão de ‘start’ para a tomada de decisões. Na opinião do gerente do Centro de Operações da AES Tietê, Antonio Carlos Garcia, a previsão do tempo é um ferramenta de trabalho e o reservatório da usina funciona como um colchão amortecedor. “Quando chove muito, ele armazena água para ser usada no período de estiagem”. Para exemplificar para os leigos, o gerente de suporte técnico do Centro de Operação da Duke Energy, Sérgio Taidi Fakaguchi, compara os reservatórios com uma grande caixa de água que guarda o líquido no período de cheias para normalizar os níveis dos rios nos períodos de seca. “O objetivo é amortecer as ondas de cheias e manter a regularização da vazão do rio em época de pouca chuva.”
Para que o processo de geração de energia seja mantido durante todos os meses do ano nos patamares normais é necessário que os reservatórios estejam cheios na seca e vazios na temporada de chuva, por isso é importante para as usinas saber quando e quanto vai chover e quais os períodos de seca.
Garcia explica que no período das chuvas os reservatórios devem estar bem baixo para acumularem água que será usada na estiagem. “A tendência é a de que os reservatórios cheguem em novembro com reservas de água abaixo de 50% e em abril estejam 100% cheios. “O período de estiagem começa em abril e termina em novembro. É quando essa água reservada volta para o rio, para regularizar os níveis.”
Na AES Tietê, geradora de energia elétrica no rio Tietê, mantém uma rede telemétrica com 40 estações espalhadas por todo o Estado de São Paulo, nas regiões onde estão localizados os reservatórios. O Centro de Operações usa como suporte pesquisas constantes no Climatempo, no Ipmet/Bauru e outros institutos a fim de saber como estará o tempo. “Quem faz as previsões é o operador nacional do sistema. Dependendo da intensidade da chuva, precisamos tomar decisões ou seja, abrir as comportas das usinas para dar vazão a água excedente.”
Na Duke Energy, o sistema é o mesmo, muita água é sinal de abertura das comportas, explica Fakaguchi. O sistema é feito de forma controlada para não prejudicar a população ribeirinha.