Quando uma dieta não é apenas estética, mas essencial para a saúde da pessoa, saber exatamente os pormenores dos produtos é vital. Pacientes com diabetes devem ficar atentos a cada componente de tudo o que consomem. Mas uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que a maioria dos pacientes com diabetes do tipo 2 não sabe a diferença entre produtos diet e light, apesar de os consumirem com freqüência.
O estudo foi realizado para um mestrado da unidade e, de acordo com a nutricionista Paula Barbosa de Oliveira, responsável pela pesquisa, o consumo indiscriminado desses produtos pode trazer prejuízos para a saúde. Ela lembra que as pessoas com diabetes precisam restringir o uso de açúcar. O uso consciente e adequado de alimentos light e diet facilita a adesão ao tratamento e melhora a qualidade de vida dos pacientes.
Já o consumo excessivo desses produtos pode influenciar o controle glicêmico e causar prejuízos para a saúde. Para Rita Kátia Almeida de Oliveira, presidente da Associação dos Diabéticos de Bauru (ADB), a leitura do rótulo dos produtos é muito importante. “Aqui eles são orientados sobre a importância de saber o que contém cada alimento que eles vão consumir. Por isso alertamos sempre a ler o rótulo e sua tabela nutricional. Ele é a maior fonte de informação”, afirma.
Ela destaca que os pacientes atendidos pela entidade são recebidos por uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos e nutricionistas, para orientar e dar todas as informações que o diabético precisa. “O combate ao diabetes é baseado em alimentação, medicamento e exercício”, diz.
Além dos alimentos diet, que têm a retirada de 100% de algum componente original, e os light, que têm a redução de pelo menos 25% de algum componente, Oliveira lembra da invasão dos produtos “zero” nas prateleiras dos mercados. “São alimentos com zero açúcar ou zero gordura. Essa quantidade de variações confunde as pessoas. Mas deve-se confirmar na tabela nutricional do rótulo”, destaca.
Mas a bioquímica e professora aposentada Lilian Seixas Morato Pinto de Almeida, que também é voluntária da ADB, frisa que mesmo um produto diet ou zero deve ser consumido com moderação. “Existem tipos de pães, por exemplo, que são isentos de açúcar, mas têm muito carboidrato. Então, eles vão dar tanto problema quanto se tivessem açúcar”, destaca. “Tem também a questão do excesso de sódio. Alguns produtos diet vêm com sacarose, como gelatinas. Então têm que ver se dá para consumir”, explica.
Lilian tem diabetes do tipo 2 e é insulinodepentende. Para manter a doença sob controle, investe em boa alimentação. “Existe uma gama de produtos para diabéticos. O problema é que, por terem alterações na fórmula, costumam ser caros. Outra coisa é saber até quanto pode consumir”, diz.
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Adoçante
A pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto também revela que os adoçantes líquidos são os mais utilizados e escolhidos em função do sabor e que a população não tem o hábito de ler o rótulo dos produtos. Além disso, não se preocupa com a quantidade utilizada e nem sabe da importância do rodízio do uso de adoçantes, conforme recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).
De acordo com a pesquisa, esse rodízio é importante para que não haja acúmulo de uma determinada substância no organismo como, por exemplo, açúcar, gordura e sódio. Para Paula Oliveira, muitos pacientes fazem esse rodízio, mas destaca que é mais uma questão de paladar. “Muitos acabam enjoando do sabor e trocam o produto”, diz.
Já Lilian de Almeida ressalta que os mais recomendados são os adoçantes “naturais”, como a sucralose, por exemplo. Nesse adoçante à base de cana-de-açúcar, os grupos de hidrogênio-oxigênio da sua molécula são substituídos por átomos de cloro. Dessa forma, ele fica menos calórico e mais doce. “Ele é mais caro que os outros, mas rende muito mais”, garante.