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Atentado contra um líder sindical

José Dirceu
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Um tiro na nuca disparado por motoqueiros encapuzados levou Élio Neves, presidente da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), a ser internado no Hospital São Paulo de Araraquara. O crime aconteceu em uma chácara no município de Ribeirão Bonito.

A bala alojou-se na nuca (no lado direito, na parte de trás do pescoço), atingiu um músculo e, por sorte, não afetou a coluna e a medula do sindicalista. De acordo com a assessoria da Feraesp, no hospital, Élio Neves foi sedado e levado ao coma induzido. Élio tem destacada atuação nas lutas em defesa dos cortadores de cana-de-açúcar, colhedores de laranja e grãos.

Há alguns meses, foi um dos representantes na mesa tripartite (autoridades, trabalhadores e empregadores) promovida pelo governo para elaborar o Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar. O pacto fixou novas e melhores condições de trabalho e de preservação do meio ambiente nas relações dos que atuam no setor. Felizmente, Elio, de 51 anos, já saiu do coma, teve alta da UTI e foi transferido para o quarto do Hospital São Paulo, de Araraquara. No entanto, ainda não pode receber visitas - medida de segurança imposta pela Polícia Civil, que vigia o local.

Ao mesmo tempo em que desejo pronto restabelecimento ao Élio, solidarizo-me com seus companheiros e familiares e manifesto minha expectativa de que o crime seja devidamente apurado. Caso contrário, será mais um atentado impune contra lideranças sindicais no nosso País.

A Polícia Civil do Estado de São Paulo, sob o comando do governador José Serra (PSDB), é inicialmente a responsável pela apuração desse crime. Vamos acompanhar as investigações e seus desdobramentos.

O autor, José Dirceu, é advogado e ex-ministro-chefe da Casa Civil

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