Em média, as escolas estaduais de Bauru estão registrando 80% de freqüência de alunos aos sábados durante a reposição das aulas, necessária após o prolongamento das férias de julho para evitar a propagação da gripe suína. Ontem, no segundo sábado de reposição, a presença de alunos foi maior em relação ao primeiro sábado. Em pelo menos três escolas de Bauru pesquisadas pelo JC, o índice de comparecimento de alunos ficou entre 75% e 85%. Mas a aula é mais curta.
Por recomendação da Diretoria de Ensino de Bauru, no período de reposição, a aula foi reduzida à metade do tempo normal. Ou seja, de 50 minutos passou a 25 minutos. Na escola Ernesto Monte, por exemplo, o índice de freqüência ontem foi de 80%, segundo a coordenadora de ensino médio Ana Maria Pedon. “No período da manhã, foi até um surpresa. Nós tivemos 80% de freqüência. No primeiro sábado veio um pouco menos”, confirma.
Para atrair os alunos para as aulas de sábado, dia que normalmente seria destinado ao descanso e ao lazer, algumas escolas criaram projetos especiais com atividades práticas. É o caso da Escola Ernesto Monte.
A diretora, Heloíse Helena Cerqueira de Souza, explica que as atividades foram desenvolvidas dentro da proposta de trabalho da escola e têm o objetivo de atrair os alunos nos finais de semana. Entre os projetos desenvolvidos na escola estão a reativação do laboratório de química, física e biologia; a rádio estudantil; aulas de dança; além de palestras.
“A gente coloca o foco no interesse de cada grupo. Então eles (alunos) vêm para dar seqüência a determinado projeto. Por exemplo, a rádio estudantil envolve várias séries e classes. Eles vêm porque é interesse deles e fica mais leve para trabalhar no sábado”, comenta a diretora. “E não precisamos ficar correndo atrás do aluno. Eles se interessam”, completa.
Segundo uma funcionária da coordenação da Escola Estadual Antônio Guedes de Azevedo, que preferiu ficar no anonimato, o índice de freqüência de alunos no sábado ficou em torno de 75%. “Por ser um sábado, na minha opinião, a freqüência pode ser considerado muito boa”, avalia. Segundo ela, houve até um pequeno aumento na comparação com o primeiro sábado de reposição de aula.
Já na Escola Estadual Ada Cariani, a presença dos alunos nos sábados variou entre 80% e 85%, segundo uma funcionária que também preferiu o anonimato. No entanto, baseado em experiências passadas, a funcionária teme que os alunos percam o interesse pelas aulas de sábado ao longo dos meses. “Eles vão cansando e vão largando”, acredita.
Fora da rotina
Para os alunos, as aulas de sábado se tornaram uma novidade que foge à rotina. “Está sendo muito bom. O tempo que a gente ficou parado por causa da gripe, estamos repondo e revendo os amigos por mais um dia. É uma forma de recuperar o tempo perdido. É a primeira vez que faço reposição de aula e é uma coisa nova que está acontecendo em nossas vidas”, comenta o aluno Rafael Bickhoff, 16 anos, que cursa o 2.º ano do ensino médio na Escola Ernesto Monte.
Já o aluno Danilo Almagro dos Santos, 16 anos, também estudante do 2.º ano do ensino médio na Ernesto Monte, encara as aulas de forma diferente. “É mais uma recuperação mesmo”, comenta. Seu colega de classe, Wellington Augusto Marquese, 17 anos, achou diferente o clima das aulas no sábado. “Acho legal, descontraído. Por ser sábado é um clima diferente, mas hoje deu bastante movimento”, diz.