Regional

Microrregião de Bauru cresceu o equivalente a 11 Borás em um ano

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Dados do Instituto Brasileiros de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados este mês apontam que o crescimento populacional em 33 cidades da microrregião de Bauru cresceu, em um ano , o equivalente ao tamanho de Iacanga, 11 Borás, três cidades do porte de Alvinlândia e seis do tamanho de Fernão. O levantamento surpreendeu administradores municipais que dependem da estimativa para receber recursos do Fundo de Participação de Estados e Municípios (FPM). O prefeito de Alvinlândia (90 quilômetros de Bauru), Elizeu Jesus Eleotério (PP), por exemplo, não concorda com a contagem que acrescentou apenas um morador ao município no período de 2008 para 2009. Na defesa de sua tese, ele diz que cadastrados na unidade de saúde são 3.300 contra 2.869 habitantes apontados pelo levantamento.

Alheio ao crescimento populacional, Eleotério diz que crescer sem infra-estrutura pode ocasionar problemas, por isso, ele não quer atrair novos moradores antes de trazer uma empresa que gere empregos.

No município de Fernão, região de Marília, o número de habitantes saltou de 1.514 para 1.521, ou seja, aumento de sete pessoas. Para o prefeito daquela cidade, Adélcio Aparecido Martins (PR), a falta de moradia afugenta novos moradores. Segundo ele, tem muita gente trabalhando na cidade e morando em municípios vizinhos como Gália, Duartina e Lucianópolis.

Para resolver o problema, Martins está investindo em habitação. “Estamos providenciando moradias tanto pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) pelo governo federal. Temos que ter infra-estrutura para receber os novos moradores.”

Outra providência que o prefeito pretende fazer a curto prazo é conquistar indústrias. “O município é estritamente agrícola, temos hortaliças, café, gado e laranja. Vamos construir um barracão para a instalação de uma fábrica de bebidas e outra de confecção.” O crescimento esperado pelo município é com qualidade, ressalta Martins. “Não queremos perder as características de Interior, o queijo fresco, o doce caseiro e o leite puro, que são itens importantes para manter a qualidade de vida. Aqui, a unidade de saúde tem médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e em breve terá ortopedistas.”

Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru) perdeu 31 habitantes no último ano: dos 4.400 computados em 2008, passou para 4.369 em 2009. A causa, na opinião do prefeito de Cabrália, Jacintho Zanoni Filho, é a falta de vagas no mercado de trabalho para a mão-de-obra qualificada. “Os jovens formados querem ultrapassar a barreira de trabalhador rural. Só quando empresas de grande porte se instalarem no município será possível fixar o jovem aqui.”

Ele frisa que a cidade tem condições de acolher novos moradores atraídos pela tranqüilidade. “Essa paz não interessa para o jovem que está começando a vida profissional. Ele quer ganhar dinheiro. Aqui só ficam os mais velhos que estão aposentados ou que estão para se aposentar.”

As indústrias instaladas em Cabrália Paulista, segundo o prefeito, pagam salários em torno de R$ 600,00. “Aqui tem fábrica de caixão, além do trabalho rural na colheita de laranja e corte de eucalipto. Não tem atrativos para os jovens profissionais que estão estudados”, lamenta. Outro item apontado para o decréscimo populacional apontado pelo prefeito é a falta de uma maternidade. “Os nascimentos acontecem na Santa Casa de Duartina. Muitos saem de lá registrados.” Zanoni Filho ressalta que vai usar a localização privilegiada da cidade para atrair empresários. “Aqui tem muita plantação de laranja. Creio que poderemos conquistar uma fábrica de suco ou algo relacionado à fruta, por exemplo.”

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