Não acredito mais em utopias...ou será que acredito? Talvez sejam só músculos cansados ou quem sabe cansado disso tudo, afinal as fibras esgarçam com o tempo. Não tenho mais vigor “para malhar” as utopias. Estou caidaço. Mesmo assim é muito bom ver meu filho Thiago Neves preparando, trabalhando, pegando pesado na casa da minha mãe, lá na rua Gerson França, para transformar a casa em um Espaço Cultural, afinal agora no mês de setembro vamos começar ali, na Unidade 2, o nosso Curso Livre de Teatro. Eu acredito que a Talita (agora em Curitiba!) e o Thiago (o leitor deve lembrar da dupla, que durante anos fez parte do Aparte é Nosso, que, modestia à parte, fazia sucesso aqui no JC) ainda acreditam nas utopias, mas o pai já está velho para novas arrancadas!
O Thiago começa acreditar que arte pode mudar o mundo. Será que pode? Penso nisso de segunda a segunda, quando vou para o D'Incao Instituto de Ensino... Com toda a sinceridade, não sei se isso é bom! Afinal, não sei se posso interferir na realidade. Posso, no máximo, apontar caminhos, iluminar, no máximo, algum nicho escuro, sinalizar novas possibilidades de ver o mundo. O Thiago começa a acreditar que arte pode mudar o mundo. Mas com toda humildade precisamos da ajuda do empresário bauruense - não vamos aguentar sozinhos por muito tempo...
Opa! lembrei-me da música do Chico Buarque, “Sonho Impossível”: Sonhar/ Mais um sonho impossível/ Lutar/quando é fácil ceder/vencer/ o inimigo invencível/ negar/ quando a regra é vender/ sofrer/ a tortura implacável/ romper/ a incabível prisão/voar/num limite improvável/ tocar/ o inacessível chão/ é minha lei, é minha questão/ virar esse mundo/ cravar esse chão/ não me importa saber/ se é terrível demais/ Quantas guerras terei que vencer/ por um pouco de paz/ e amanhã, se esse chão que eu beijei/ for meu leito e perdão/ vou saber que valeu delirar/ e morrer de paixão/e assim, seja lá o que for/ vai ter fim a infinita aflição/ e o mundo vai ver uma flor/brotar do impossível chão”... Essa carta, nesta Tribuna, serve somente pra dizer que mesmo desacreditando em utopias flácidas, acho que a gente pode fazer muita coisa bacana enquanto navega sobre esse planeta insignificante.
Inclusive teatro e cinema, o que significa, no mínimo, encontrar mais gente. Pode até mesmo fazerr um blues. E isso não é pouco. Meus filhosTalita e Thiago Neves: o mundo está aí, vamos às apresentações...
Paulo Neves - diretor de Teatro e professor de História do Brasil do D’Incao Instituto de Ensino