Bairros

Medo garante mercado de segurança eletrônica

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Quem chega a Bauru com a intenção de encontrar um local para residir com a família com a imagem de uma calma cidade do Interior na cabeça, tem que rever seus conceitos. Seja em bairros de classe alta, média ou baixa, o número de residências que possuem sistemas de segurança é muito grande. Disparada na preferência dos moradores está a cerca elétrica, que já parece incorporada ao cenário urbano da cidade.

O medo de ter o imóvel invadido faz com que as pessoas, além de erguerem muros cada vez mais altos, instalem portões fechados que dificultem ao máximo quem passa pela rua ter uma visão privilegiada da área interna do imóvel. Para completar, as cercas elétricas equipadas com sistema sonoro estão presentes em grande parte das residências, sobre os muros e telhados, tudo em nome da segurança patrimonial e familiar.

De acordo com os proprietários da empresas de segurança eletrônica consultados pelo JC nos Bairros, em segundo lugar na preferência do consumidor vem o sistema de alarme com sensores de presença espalhados por toda a casa. Os sensores são instalados tanto nos acessos ao imóvel quanto dentro da residência.

Os preços desse tipo de serviço variam entre as empresas do ramo e, também, de acordo com o tamanho da residência. Em média, a central para um sistema de cerca elétrica custa no mercado R$ 300,00. Depois é preciso somar ainda a metragem de cerca a ser instalada e o preço da mão-da-obra. Em média, para proteger uma residência com 60 metros quadrados, o valor a ser cobrado fica em torno de R$ 800,00.

Se o proprietário da residência resolver colocar, além da cerca elétrica, um sistema de alarme com sensores de presença pelos acessos e principais pontos da residência e quartos da casa, o investimento pode ultrapassar R$ 1,3 mil.

O valor a ser cobrado também dependerá muito dos equipamentos escolhidos pelo proprietário do imóvel, mas de acordo com especialistas, como a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), optar por equipamentos que ofereçam preços muito em conta pode, no futuro, ser mais uma dor de cabeça.

Visão privilegiada

Câmera, luz e uma visão privilegiada da movimentação em frente à sua residência, seja na tela de um computador, no aparelho de TV ou mesmo no visor do celular. Uma, duas, três ou quantas câmeras o cliente quiser para se sentir seguro no seu imóvel. De acordo com Juliano Húngaro, proprietário de uma empresa que instala sistemas eletrônicos de segurança, as residências são responsáveis por cerca de 30% das instalações de Circuito Fechado de TV (CFTV). Nesse caso, comércio e indústria respondem pela maior porcentagem.

Em geral, as empresas que atuam nesse mercado em Bauru afirmam realizar dois serviços por dia, seja para clientes novos ou para aqueles que desejam reforçar o sistema já existente na sua residência. Os próprios empresários do ramo acreditam que a cidade possua em torno de 30 empresas legais em atuação no mercado. Fazendo uma rápida conta sem levar em conta o sábado e o domingo, são 60 serviços diários. Multiplicados por 20 dias úteis mensais, a cidade atinge a marca de 1,2 mil serviços.

Se você se assustou com o número... ainda tem mais. Os mesmos empresários do ramo acreditam haver no mercado pelo menos mais 30 prestadores de serviço que atuam de maneira informal.

“São pessoas que trabalharam por um tempo nas empresas que atuam formalmente no mercado, seja em Bauru ou em cidades da região, e que para sobreviver começam a realizar o serviço por conta própria. Alguns abrem uma ‘portinha’ no fundo do quintal, outros nem endereço fixo possuem”, diz Marcelo Dias, sócio de outra empresa instalada na cidade.

Se a média de instalações dos informais for reduzida pela metade em relação à das empresas legalizadas na cidade, chega-se a mais 600 serviços mensais. Somados, atingem em média 1,8 mil novos atendimentos mensais em Bauru.

Crescimento

Em setembro do ano passado, os empresários do setor de sistemas de segurança eletrônica na cidade comemoravam crescimento de 20% no setor, acima da média nacional, que era de 15%. Em 2009, os empresários afirmam que o mercado continua aquecido e mantém o mesmo ritmo do ano anterior.

O medo de se tornar a próxima vítima faz com que as pessoas invistam pesado em sistemas de segurança para garantir a integridade do imóvel e da família. A maior parte das pessoas ouvidas pela reportagem do JC nos Bairros que possuem os mais diversos sistemas de segurança eletrônica para proteger sua residência nunca foi vítima de assalto ou furto.

José Luiz Comine conta que investiu na segurança eletrônica de sua casa porque residências vizinhas foram invadidas. “Tenho cerca elétrica e sistema de alarme com sensores e monitoramento”, diz.

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