Bairros

Sistemas transmitem ‘sensação de insegurança’

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 6 min

O combustível para que a indústria de segurança privada siga crescendo a cada ano e faturando sempre mais vem agora da classe média. Essa é uma constatação da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese). A instituição afirma que o faturamento do setor saltou de R$ 1,026 bilhão em 2006 para R$ 1,4 bilhão no ano passado.

O medo dos moradores aquece as vendas no Brasil, que em 2008 cresceram em torno de13%. Em Bauru, empresários do setor afirmam que o mercado se mantém aquecido e as vendas crescem acima do esperado.

“Não é só quem ainda não possui sistema de segurança em casa que é responsável pelo aquecimento do mercado. Mesmo quem já tem está ligado nas novidades, procura sempre reforçar a segurança com novos equipamentos”, afirma Marcelo Dias, sócio de uma empresa de segurança eletrônica na cidade.

Uma casa na vizinhança invadida por ladrões fez com que José Luiz Comine, morador do Jardim Panorama, resolvesse investir em segurança eletrônica para sua residência. Ele conta que os dois vizinhos ao lado já haviam colocado cerca elétrica, e por isso tomou a decisão.

“Foi pura prevenção. Tenho cerca elétrica e sistema de alarme com sensores e monitoramento”, relata Comine. Ele classifica o investimento feito como mínimo perto do prejuízo que uma invasão pode acarretar.

“Às vezes, as fechaduras arrombadas custam mais caro que todo o sistema de segurança que tenho aqui”, comenta. Comine conta que sua mãe já teve a casa invadida por ladrões, que bagunçaram todo o imóvel e causaram muito constrangimento.

Waldemar Carrino instalou alarme, monitoramento e um jogo de câmeras na frente de sua casa e nas laterais, que lhe garantem o sossego necessário. Além de todo aparato eletrônico, a cerca elétrica também está presente sobre o muro da residência.

“Tenho um amigo policial que me disse uma vez que ladrão nenhum quer dificuldade na hora de invadir uma residência ou um imóvel comercial. Por isso, optei por um sistema completo”, comenta.

Cuidados preventivos

A exemplo do morador do Jardim Panorama, Carrino nunca teve o imóvel invadido, mas ele conta que toma alguns cuidados para não facilitar a ação de ladrões. “Não adianta todo esse sistema de segurança se você não tomar cuidado ao entrar e sair de casa. Uma vez tomei conhecimento numa reportagem que a maior parte dos ladrões entra pela porta da frente. Eles se aproveitam de um descuido ao abrir o portão da garagem, por exemplo”, comenta.

“Antes de abrir o portão para entrar em casa, dou uma volta no quarteirão para verificar se não tem ninguém suspeito, oriento meus filhos e esposa a fazer isso também”, afirma. O morador do Jardim Brasil conta que, antes de sair de casa, observa a movimentação do lado de fora.

Keith Mastrangelo diz que quando visitou Bauru em busca de uma residência para comprar teve a impressão de estar mudando para a “cidade errada”. “A impressão que se tem quando se vem de fora e anda pelas ruas da cidade ao ver tanta cerca elétrica, câmeras e casas com placas que apontam sistema de segurança é de que a cidade é muito violenta”, comenta.

Antes de se mudar para uma residência na rua Uruguai, no Jardim Eugênia, a moradora residiu na zona sul da cidade e afirma que lá tinha mais medo. “Aqui o bairro é muito tranqüilo”, afirma. Mesmo com tanta tranqüilidade, ela relata que reforçou a segurança da residência ao se mudar para o local.

“Quando adquirimos a casa, ela já tinha cerca elétrica e alarme com sensores de presença. Reforçamos o número de sensores e instalamos câmera focada para identificar quem está no portão”, explica. Mastrangelo, tem as imagens captadas pela câmera externa diretamente no parelho de TV da sua sala.

Todas as pessoas ouvidas pela reportagem do JC nos Bairros relata que o medo de ter o imóvel invadido ou um fato ocorrido próximo de casa é o principal motivo de transformar a própria residência em fortalezas urbanas.

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Segurança residencial à moda antiga

Quem tem confiança no cachorro não põe “tranca” na janela. É um ditado antigo, mas que vale para os dias atuais. Apesar do cachorro nos últimos tempo ter ganho “status” de membro da família com regalias que no passado não existiam, muita gente ainda recorre ao bom e velho amigo fiel para a guarda da residência.

Não importa se o cachorro é de grande ou pequeno porte, com fama de violento ou não. Apenas a presença do animal no quintal e o barulho feito por ele na presença de alguém estranho em frente à residência já serve de alerta para o proprietário do imóvel de que algo está errado.

Odete Domingos Ribeiro Pinto, moradora do Jardim Cruzeiro do Sul, confia plenamente em Bily, um animal de grande porte e manso com os membros da família, para garantir a segurança da casa. “Ele já veio grande para cá, foi encontrado perdido, magro e machucado. Trouxemos ele para casa, cuidamos dele e todos nos acostumamos com sua presença”, conta a moradora.

De acordo com ela, Bily é bastante dócil, mas durante a noite, a qualquer sinal de algo estranho fica latindo sem parar.

No Jardim Guadalajara, a pitbull Akira é o xodó das crianças e dos demais moradores de uma residência. Ela também se manifesta a qualquer barulho estranho.

Querida por todos, a cachorra é guarda da casa até que todos se recolham quando, também é levada para dentro de casa. “Nós temos medo de que alguém passe e leve Akira embora, ela é muito bobinha”, conta Áquila de Oliveira Juvenal. O medo é justificável, já que a família teve outra pitbull furtada no passado. Na Vila Cardia, Menina, uma pintcher de 2 anos, é a guarda da casa. Lucas Evandro Dalberto conta que ninguém passa pela frente do imóvel sem ser notado por ela. “Ela faz um barulho muito grande, late e sai correndo para sua casinha”, conta.

Por conta própria

Você que possui sistema de segurança eletrônica com cerca elétrica, alarmes com sensores de presença e circuito fechado de TV (CFTV) consegue se imaginar instalando toda essa parafernalha? Se a sua resposta foi negativa, saiba que um morador da rua José Bonifácio, no Jardim Bela Vista, decidiu pôr a mão na massa e ele mesmo fazer todo o trabalho na sua casa.

Com a residência ainda em construção, José Henrique Yamamoto instalou apenas uma câmera com foco nos portões da residência e cerca elétrica, e já confessa estar satisfeito com o resultado. “Por enquanto, nem mesmo o muro do imóvel foi pichado”, conta.

Sem gastar dinheiro com a mão-de-obra especializada, Yamamoto preferiu colocar mais qualidade no seu sistema de segurança. A cerca elétrica instalada no local é uma verdadeira “trincheira”. Na frente da residência são seis fios, quando o normal no mercado são três.

O fio utilizado também é mais grosso e resistente. Nas laterais da residência, o morador colocou ao invés dos três fios, dez, e nos fundos o ladrão precisa ser atleta olímpico para vencer a barreira formada por 12 fios.

“A idéia de fazer todo o sistema não está baseada na economia, mas sim na quantidade e qualidade dos materiais que estão sendo utilizados”, afirma. Yamamoto não conta quanto pretende gastar quando sua “fortaleza” estiver pronta, mas afirma que não irá poupar nesse quesito.

Ele conta que possui certa experiência em eletrônica, por isso, resolveu assumir toda a instalação do sistema de segurança da sua casa. Ele afirma não recomendar que pessoas sem experiência tentem seguir seus passos. A falta de conhecimento pode deixar o trabalho vulnerável.

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