Os ferroviários de Bauru, assim como de todo o Estado de São Paulo, do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, prometem entrar em greve hoje, a partir das 6h, por tempo indeterminado. Entre as reivindicações da categoria que soma 2.850 trabalhadores nos três Estados, estão aumento salarial de 6,78% referente ao índice inflacionário de 2008 para todas as faixas salariais e cumprimento da legislação em relação à jornada de trabalho e benefícios legais, como folgas.
Se os ferroviários pararem, o transporte de cargas na região feito por trens deve ser bastante afetado, adianta o vereador Roque Ferreira, que é coordenador de relações políticas e institucionais do Sindicato dos Ferroviários. Como a maioria dos produtos transportados por trens não é perecível, não há conotação de serviço essencial. Segundo o sindicalista, não haveria obrigatoriedade de manter parte do serviço.
Segundo Roque, os sindicatos cumpriram os prazos do processo de negociação salarial e há seis meses tentam acordo com a América Latina Logística (ALL). “A empresa recebeu a pauta de reivindicações dos trabalhadores e desconsiderou as propostas apresentadas. Em contrapartida, ela propõe aumento da jornada de trabalho dos maquinistas para 44 horas semanais, enquanto a lei determina que sejam 36 horas”, afirma.
“Outro problema é o cumprimento de benefícios legais, como repouso. Nossa atividade exige repouso mínimo de 11 horas entre uma jornada e outra, mas devido à falta de trabalhadores, isso não tem sido respeitado”, acrescenta. Outra reclamação da categoria é referente ao cumprimento do repouso semanal. “A categoria prevê repouso de 24 horas a cada 7 dias de trabalho. E isso também não tem sido respeitado”, afirma Roque.
O sindicalista também questiona os valores que os ferroviários recebem em relação à hora extra trabalhada. “A ALL instalou um sistema de ponto eletrônico sem dialogar com os sindicatos ou submeter o software do programa a uma avaliação do Ministério do Trabalho. O programa permite fraudes na apuração sobre o quanto o trabalhador tem que receber e muitos estão reclamando que as horas extras não estão sendo pagas”, afirma.
A categoria também pede reposição salarial de 6,78% referente ao índice inflacionário de 2008 para todas as faixas salariais. “A empresa fez uma proposta de reposição salarial escalonada, limitada a quem ganha até R$ 2 mil”, explica Roque. A data-base para negociação da categoria é dia 1 de janeiro.
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ALL oferece índice da inflação
A América Latina Logística (ALL), empresa que detém a concessão da malha ferroviária nos Estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, informa que permanece aberta ao diálogo com os trabalhadores para a formalização dos acordos coletivos ainda pendentes, que podem gerar manifestações em pontos da malha paulista e do Mato Grosso do Sul.
Com acordos coletivos já formalizados para cerca de 70% da base dos empregados, a ALL informa que aguarda uma resposta dos sindicatos dos referidos locais a fim de resolver o impasse e concretizar a totalidade dos acordos. A proposta apresentada pela ALL garante reajuste de acordo com a inflação do período para todos os seus empregados.
A ALL argumenta que, ao contrário do ocorrido na maioria das empresas brasileiras no período de crise econômica, contratou 300 novos colaboradores este ano para vários cargos. O transporte ferroviário, afirma a ALL, é ssencial para o escoamento de alimentos e combustíveis no País, não podendo, pelo artigo 10 da Lei de Greve, sofrer paralisação integral.