Na época em que ocupava o cargo de ministro da Fazenda, Delfim Neto embarcou num vôo rumo a Washington, onde se reuniria com membros do FMI para mais uma rodada de negociações. Logo após a decolagem, confortavelmente instalado em uma poltrona da classe executiva, o economista concentrou-se na leitura dos relatórios com dados econômicos que levava consigo.
Quando nada parecia ser capaz de desviar-lhe a atenção, uma profusão de aromas interrompeu seus estudos... Através das grossas lentes, avistou uma aeromoça trazendo pelo corredor um carrinho que continha um banquete que faria inveja até em refeições servidas a sultões: canapés de caviar, vitela ao molho madeira, espaguete com frutos do mar. Enquanto servia módicas porções a outros passageiros, notou o olhar impaciente de Delfim, e decidiu atendê-lo imediatamente: - É uma honra tê-lo a bordo, ministro!
Com uma piscadela de cumplicidade, crente que agradaria a autoridade, completou: - Gostaria que eu lhe servisse um POUCO DE CADA prato?
Sem pestanejar, Delfim respondeu:
- Não... sirva-me com MUITO DE TUDO !
Lida na Folha de São Paulo e enviada por Ronaldo Luiz de Oliveira