Economia & Negócios

Bauru exporta mais para a Bolívia

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Mais de um terço de tudo o que Bauru exporta vai para a Bolívia. O cordão umbilical que une esses dois pontos está cada vez mais robusto. Embora a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) não seja mais pujante como era em meados do século passado, a relação comercial entre seus dois extremos segue de vento em popa.

Até julho deste ano, dos US$ 67 milhões recebidos pela indústria bauruense, US$ 21,5 milhões vieram da Bolívia, o que representa cerca de 32% do total. No ano passado, o percentual foi ainda maior. Chegou a 40%. Dos US$ 209 milhões que entraram nos cofres das indústrias da cidade, US$ 85 milhões foram depositados pelas empresas bolivianas. Ou seja, quase metade dos produtos que Bauru mandou para o exterior teve como destino a Bolívia. E a ferrovia foi o meio mais utilizado para levar esses produtos.

Bem atrás da Bolívia estão Filipinas, Paraguai, Argentina, Estados Unidos, Arábia Saudita e Holanda, que ficam com uma fatia que varia de 4% a 6% das exportações bauruenses. Nos dois últimos anos, o segundo lugar foi ocupado pela África do Sul. Este ano, no entanto, Filipinas ocupava esse posto até o mês de julho, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Analisando esses dados, chama a atenção o fato da Bolívia não figurar nem entre os 30 países que mais compravam produtos de Bauru em 2005 e 2006. No ano seguinte, ou seja, em 2007, saltou para o primeiro lugar e continua liderando até hoje com folga. Entre os produtos que seguem para a Bolívia via estrada de ferro, os principais são vergalhões, chapas e bobinas de aço, barras de ferro para construção civil e outros produtos siderúrgicos. De acordo com a assessoria de imprensa da América Latina Logística (ALL), que administra o tráfego nesse trecho de ferrovia, todos os dias partem de Bauru 20 vagões com esses produtos para a Bolívia.

Outro fato interessante é a diversidade dos produtos exportados por Bauru. Além dos vergalhões e afins, aparece na lista dos dez produtos mais procurados pelas empresas estrangeiras itens tão distintos entre si como baterias automotivas, carne bovina, cadernos, avocado e artigos de plástico.

Aliás, um dos pontos positivos do parque industrial bauruense, segundo dirigentes do setor, é justamente sua diversidade. Para o diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), em Bauru, Domingos Malandrino, isso serve como um escudo para a cidade ao protegê-la da derrocada de um determinado setor da economia. Ele usa como exemplo Franca, que tem seu parque industrial voltado basicamente para a produção de calçados. Se o setor entra em declínio, toda a cidade sofre as conseqüências.

Recuperação

Segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em julho último, a balança comercial de Bauru teve seu melhor resultado desde que a atual crise mundial se instalou no Brasil com mais intensidade, ou seja, a partir de novembro do ano passado. Comparando importação e exportação, em julho, a cidade registrou um saldo positivo de quase US$ 8 milhões, ou seja, as empresas bauruenses venderam mais do que compraram. Em outubro do ano passado, o saldo chegou a quase US$ 14 milhões. A partir daí houve uma queda brusca, que culminou com um saldo negativo em dezembro. Algo que não acontecia desde 2002. Desde então, a indústria da cidade vem se recuperando mês a mês.

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