Quando alguém pergunta qual é o forte da economia em Bauru, a resposta vem quase que de forma automática: “é o comércio”. Outros podem incluir ainda a prestação de serviços. Mas poucos lembram da indústria.
De fato, o comércio e a prestação de serviços são muito representativos em Bauru, mas ignorar a grandeza da indústria é algo que tem desagradado aos dirigentes do setor. Entre os descontentes está o diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), em Bauru, Domingos Malandrino.
Segundo ele, na maioria das vezes, as pessoas só falam da indústria quando ocorre uma demissão em massa por conta de alguma crise interna ou externa ou ainda quando uma empresa vai embora da cidade. “Dificilmente, ouvimos comentários quando a indústria vai bem ou quando surgem novas empresas. A repercussão nunca é a mesma”, reclama Malandrino. “E isso fica na cabeça das pessoas”, afirma. De acordo com ele, nos últimos 25 anos, houve um avanço significativo no parque industrial de Bauru e muitas empresas passaram a ser referência nacional em seus respectivos setores.
Ele cita a Tilibra, que é a maior fabricante de cadernos do País e a líder no setor gráfico. A empresa exporta para os Estados Unidos, Canadá e para vários países da América Latina. Tem distribuidores no Chile, Costa Rica, Equador, Paraguai, Argentina Bolívia, Venezuela, Porto Rico, República Dominicana e Uruguai. Também embarca produtos através de representantes de vendas no Líbano e em Angola. Por causa de sua força, a Tilibra fez surgir em torno dela uma série de outras empresas menores que lhe fornecem serviços e matéria-prima.
Outro setor apontado por Malandrino é o de baterias automotivas. A exemplo da Tilibra, Bauru tem uma presença muito forte no Brasil com os produtos da Ajax e da Tudor, além de outras que começam a despontar no cenário nacional e internacional.
O Frigorífico Mondelli exporta carne bovina para mais de 50 países ao redor do mundo. A Sukest, além de abranger o Brasil inteiro com seus produtos, está presente também no exterior. São mais de 30 países espalhados pela Europa, África, Oceania e América. Ainda no setor alimentício, a fábrica da Cadbury, em Bauru, considerada uma das mais modernas da América do Sul, abastece o País com balas e gomas de mascar das marcas Trident, Halls, Chiclets e Bubbaloo. Uma parte do que é produzido é exportada para países como África do Sul, Colômbia, Estados Unidos, entre outros.
Bauru pode ser considerado também o berço do avocado (fruta parecida com o abacate). A Fazenda Jaguacy, localizada às margens da rodovia Marechal Rondon, abastece não só a América do Sul, mas todo o continente europeu.
A Plasútil, com seus mais de 600 itens para cozinha, mesa, limpeza, banheiro, bebê, pet, escritório e jardinagem, lidera o mercado nacional de utilidades domésticas em plástico. Seus produtos são vendidos também para mais de 30 países.
A Polimáquinas é líder na América Latina na fabricação de máquinas de corte e solda para sacolas plásticas tipo “camiseta” e sacos blocados. Os equipamentos produzidos por ela são exportados para diversos países da América Latina e América Central.
Mesmo assim, o discurso de que Bauru não tem indústria continua firme no imaginário da população. “Não ouvimos no dia-a-dia da cidade comentários a respeito de uma indústria forte. Quando conversamos sobre isso com a população, ouvimos falar do comércio, dos serviços, das faculdades”, lamenta José Luiz Miranda Simonelli, diretor regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).