A estimativa do Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul é que 85% dos 2.850 trabalhadores dos três Estados não trabalharam ontem em adesão à greve por reajuste salarial. Com isso, vários comboios ficaram estacionados nos pátios da ferrovia em Bauru. A paralisação, que começou ontem, é por tempo indeterminado.
Entre as reivindicações da categoria estão aumento salarial de 6,78% referente ao índice inflacionário de 2008 para todas as faixas salariais e cumprimento da legislação em relação à jornada de trabalho e benefícios legais, como folgas. Segundo o vereador Roque Ferreira, coordenador de relações políticas e institucionais do Sindicato dos Ferroviários, o movimento afeta o transporte de cargas na região.
Segundo ele, a América Latina Logística (ALL), concessionária da ferrovia nos três Estados, não fez contato com o sindicato para negociação. “Geralmente eles esperam 48 horas do início do movimento. Estamos no aguardo”, disse.
Segundo Ferreira, a empresa desconsiderou as propostas apresentadas pelos trabalhadores e propôs aumento da jornada de trabalho dos maquinistas para 44 horas semanais, enquanto a lei determina que sejam 36 horas. “Outro problema é o cumprimento de benefícios legais, como repouso. Nossa atividade exige repouso mínimo de 11 horas entre uma jornada e outra, mas devido à falta de trabalhadores, isso não tem sido respeitado”, afirma.
“Além disso, categoria prevê repouso de 24 horas a cada 7 dias de trabalho. E isso também não tem sido respeitado”, acrescenta. A categoria pede reposição salarial de 6,78% referente ao índice inflacionário de 2008 para todas as faixas salariais.
“A empresa fez uma proposta de reposição salarial escalonada, limitada a quem ganha até R$ 2 mil”, explica Ferreira. A data-base para negociação da categoria é dia 1 de janeiro.
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Outro lado
A América Latina Logística (ALL) informa que permanece aberta ao diálogo com os trabalhadores para a formalização dos acordos coletivos ainda pendentes. Com acordos coletivos já formalizados para cerca de 70% da base dos empregados, a ALL informa que aguarda uma resposta dos sindicatos dos referidos locais a fim de resolver o impasse e concretizar os acordos.
A proposta apresentada pela ALL é de reajuste de acordo com a inflação do período para todos os seus empregados. A ALL argumenta que contratou 300 novos funcionários para vários cargos no período de crise. O transporte ferroviário, afirma a ALL, é ssencial para o escoamento de alimentos e combustíveis e não pode sofrer paralisação integral.