Começou ontem a reforma de uma das instituições de ensino mais tradicionais de Bauru, a escola estadual Ernesto Monte, localizada na Praça das Cerejeiras, ao lado da prefeitura. O prédio da década de 30 terá R$ 1,7 milhão para trocar o telhado, refazer os sistemas elétrico e hidráulico e fazer a pintura das salas. As aulas continuarão sendo dadas normalmente.
A verba provém da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e será suficiente fazer uma reforma total no prédio da escola que foi alvo de vândalos e pichadores no primeiro semestre. A empresa responsável pela obra é a Le Mans Construções e Comércio Ltda, que deve terminar o serviço em 7 meses.
A reforma será feita em etapas para que as aulas não precisem ser paralisadas. “Os alunos vão ser remanejados de sala ao longo das obras, assim as aulas poderão continuar normalmente, Vamos nos adequando a situação”, diz Vanderléia Cavalheri, vice-diretora da escola.
A primeira etapa da obra, que começou ontem, é a substituição do telhado, que apresentava vazamentos. Um produtor rural aposentado que passou em frente ao local reparou que as telhas estavam sendo jogadas em caçambas de lixo e questionou se elas não poderiam ser reaproveitadas.
“Eles (os trabalhadores da obra) estavam jogando as telhas lá de cima em uma caçamba. Estavam quebrando tudo. Se não vão usar mais, poderiam doar. É um desrespeito com o dinheiro público”, reclama Cynise Pereira Leite.
A diretora da escola, Heloíse Helena Cerqueira da Souza, explicou que solicitou ao mestre de obras que a informasse sobre o estado da telhas. “Ele me disse que não dá para usar, que as telhas estão velhas. Elas têm mais de 70 anos, estão aí praticamente desde a construção do prédio. Se desse para usar, a gente ia doar. De qualquer forma, pedi para a construtura fazer uma nova avaliação das telhas”, explica.
O presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag), Hedivaldo Canho, a pedido do JC, foi até a escola ver a situação do material. Para ele, a situação é complicada, pois embora seja possível reaproveitar as telhas, isso acarretaria um custo maior em mão-de-obra e um atraso na reforma.
“As telhas podem ser reutilizadas, mas se antes passarem por uma lavagem com máquina de pressão e por um processo de impermeabilização. Além disso, as telhas teriam que ser retiradas com muito cuidado, o que provocaria um encarecimento de mais ou menos 3 vezes no custo da mão-de-obra contratada e um atraso no cronograma da reforma. Com tudo isso, as telhas poderiam acabar saindo mais caro do que se compradas novas”, analisa Canho.
Independentemente da situação da escola, a titular da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), Darlene Tendolo, diz que a população socialmente vulnerável de Bauru precisa de ajuda com material de construção. “Sempre recebemos pedidos de telhas, tijolos, madeira. Principalmente em épocas de chuvas, há o problema de destelhamento de casas. Com tanto que estejam em bom estado, nós aceitamos doações de material de construção”, afirma.
Quem estiver fazendo reforma em casa e estiver interessado em doar material de construção pode ligar para a Sebes no telefone (14) 3235-1225.