Espanto e indignação foram os sentimentos que se apropriaram de mim quando, no último dia 28, dirigi-me à Casa do Médico na condição de advogada e coordenadora da Comissão de Responsabilidade Social do Terceiro Setor da OAB-SP para participar do VII Fórum de Responsabilidade Civil, Ética e Penal do Médico, organizado pela Associação Paulista de Medicina (APM) Regional de Bauru, e fui impedida de fazê-lo. Fui barrada pelas recepcionistas que se justificaram dizendo que somente médicos poderiam participar.
Contraditória a informação, pois o convite, veiculado no dia 27, não especificava que os participantes deveriam ser médicos e também não fui informada quando liguei para a secretaria da associação solicitando minha inscrição e orientaram-me a fazer no local, na hora do evento. Fui barrada quando objetivava buscar conhecimento e subsídios para a melhor elaboração de meu trabalho como advogada. Sabedora da angústia a que vem sendo submetidos os médicos diante das ações que lhes penalizam pela responsabilidade civil por seus erros e, algumas vezes, pela fatalidade a que são vulneráveis e constantemente estão expostos no exercício da profissão, tenho trabalhado no sentido de buscar argumentos a serem usados em defesa de suas causas.
Absurda e politicamente incorreta a decisão de impedir o acesso de advogados em eventos diretamente ligados à área juridica. Devemos lembrar que se médicos devem ser responsabilizados pelas desgraças e fatalidades que nos atingem também a eles devemos atribuir o mérito quando por meio deles resgatamos nossa saúde. Ora, se a premissa é verdadeira para o médico, também não se pode esquecer que será o advogado quem o acompanhará e lutará pela defesa de seus direitos. Portanto, ficam aqui registrados meu protesto e a minha indignação no tocante à divulgação de propaganda enganosa inserida no convite público, o que me submeteu a uma situação constrangedora diante dos demais presentes.
Kathye Karg -coordenadora da Comissão de Responsabilidade Social do Terceiro Setor da OAB-SP