Bairros

Sustentabilidade carece de políticas públicas, enfatiza líder do setor rural

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

O tema está mais do que em pauta. Mas, para que o desenvolvimento sustentável, tão aclamado em tempos de preocupação com a preservação dos recursos naturais, efetivamente seja colocado em prática é necessário mais do que o simples discurso ou direcionamento de encargos apenas sobre determinados setores da cadeia produtiva.

Essa foi uma das questões abordadas pelo presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp) , o engenheiro agrônomo Braz Albertini, durante o seminário regional “Desenvolvimento Rural Sustentável, Solidário e Territorialidade”, organizado em parceria entre a entidade estadual e Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), realizado em Bauru desde o início da semana no Obeid Plaza Hotel. O evento termina na sexta-feira.

Para Albertini, a exploração sustentável do solo está atrelada, diretamente, tanto à conscientização dos produtores rurais quanto ao desenvolvimento de políticas públicas eficazes tanto no quesito ambiental quanto no incentivo aos produtores, principalmente em quesitos técnicos, financeiros e sociais.

Apesar de reconhecer a necessidade do respeito às normas ambientais no campo, especificamente sobre o Código Florestal, Albertini salienta que o caminho para a exploração sustentável do solo depende de um esforço coletivo. Segundo o representante de classe, os produtores rurais não podem arcar sozinhos quando o assunto é preservação de recursos naturais.

Ele cita a obrigação que os produtores têm, por lei, em destinar - no caso do Estado de São Paulo - 20% de suas propriedades para a manutenção de florestas. O agrônomo acredita que, com isso, apenas o homem do campo “pagaria” em prol da preservação ambiental. “Todos poluem, todos têm que pagar”, destaca. “É errado ‘arrancar’ só do produtor”, acentua Albertini, que propõe a criação de um fundo compensatório em que outras fatias da população contribuiriam para a minimização, segundo ele, das perdas que os trabalhadores do campo sofreriam ao destinar parte de suas glebas à manutenção das matas.

“Temos amparo da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e do Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo), mas é preciso mais”, acredita, ao citar o uso inadequado de agrotóxicos, além da predominância da monocultura como fatores que inibem a sustentabilidade. O evento conta com a realização de palestras e oficinas referentes às ações do Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR) da região Sudeste do País.

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