Regional

Nem ação na Justiça consegue obrigar que baleado seja operado

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 2 min

Pirajuí - Apesar de uma liminar favorável concedida pela Justiça, um morador de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru), que levou um tiro no braço vítima de bala perdida, ainda não conseguiu uma vaga para internação e fazer cirurgia no sistema hospitalar abrangido pela Diretoria Regional de Saúde de Bauru (DRS-6).

O aposentado Antônio Pereira Marcos, 48 anos, foi vítima de uma bala perdida, disparada por um policial militar em 22 de julho deste ano. O projétil atingiu o punho no braço direito. Ele chegou a ser atendido no Pronto-Socorro (PS) da Santa Casa de Pirajuí e encaminhado para o Hospital de Base de Bauru. No entanto, não teria sido internado por falta de vaga.

Desde então, apesar da recomendação médica de que deveria passar por uma cirurgia, ele ainda não conseguiu nenhuma vaga para internação em hospitais da região. Sensibilizado com a situação de Marcos, porque o ferimento no braço dele teria se agravado, o advogado Roberto Biscainho Carreteiro entrou com pedido de liminar, na 2.ª Vara Cível da Comarca de Pirajuí, solicitando a internação urgente do cliente. “Estou vendo uma afronta à dignidade da pessoa”, explica o advogado.

Na última quinta-feira, a juíza Jane Carrasco concedeu a liminar que obrigava o DRS-6, com sede em Bauru, a oferecer em 24 horas uma vaga para Marcos no sistema hospitalar. No entanto, ontem, até o fechamento desta edição, ele ainda não havia sido internado.

A diretoria do DRS-6 informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que já consta uma consulta agendada para Marcos no Hospital Estadual para o mês de outubro e que este fato já teria sido comunicado em ofício para a juíza de Pirajuí.

O advogado discorda e diz que o caso está sendo tratado como atendimento eletivo e sem urgência, contrariando entendimento do próprio médico que o atendeu e recomendou urgência no tratamento cirúrgico.

Marcos se aposentou por invalidez depois de ter passado por uma cirurgia para extrair um tumor da coluna, o que deixou uma das pernas atrofiada. Ele contou ontem à reportagem que estava procurando pelo filho quando, ao atravessar um campo de futebol no bairro Jardim Rinaldi, por volta das 22h15, foi atingido pela bala. “Para mim era um bomba, porque escutei (um barulho) e quando fui virar o rosto pegou no punho. A bala atravessou o osso e passou de raspão na perna direita”, detalha.

Enquanto aguarda sua internação, o aposentado diz sentir muitas dores e teme que possa perder parte do braço. “Sinto muita dor e durmo só com remédio. Está começando a cheirar ruim o meu braço”, diz. Ele também lamenta não ter condições financeiras para fazer o tratamento particular sem precisar de assistência médica pública.

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