Gdansk - A chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, afirmou ontem que o conflito deflagrado pela Alemanha em 1º de setembro de 1939 trouxe “anos de injustiça, humilhação e destruição” para a Polônia e para a Europa. A chefe de governo esteve Westerplatte, Gdansk, local dos primeiros embates de poloneses e invasores alemães em 1º de setembro de 1939 - ação que marcou o início, há 70 anos, da Segunda Guerra Mundial.
“Há 70 anos, com a invasão alemã da Polônia, começou o mais trágico capítulo da história da Europa”, admitiu Merkel, que discursou em um ato para lembrar o aniversário do conflito bélico.
Após lembrar os 60 milhões de mortos nos confrontos, Merkel ressaltou que “não há palavras que consigam descrever nem de perto o sofrimento dessa guerra e do Holocausto”. “Dobro-me às vítimas”, disse.
“Aqui em Westerplatte, como chanceler alemã, quero lembrar todos os poloneses que sofreram o indizível nas mãos da força de ocupação alemã”, disse Merkel.
Em outro momento de seu discurso, Merkel abordou o delicado tema dos alemães que, após a guerra, foram deportados da nova Polônia. Ela também citou a declaração conjunta a respeito das conferências episcopais da Igreja Católica na Polônia e na Alemanha.
Cerimônia
Líderes europeus se reuniram aos da Polônia na península Westerplatte, em Gdansk, para marcar o exato momento em que o encouraçado alemão Schleswig-Holstein, no tiro de início da guerra, atingiu um pequeno posto militar polonês que abrigava arsenal da Marinha.
Bandeiras polonesas vermelhas e brancas tremulavam enquanto as autoridades deram início à cerimônia às 4h45 (23h45 em Brasília), colocando coroas de flores nos pés de um monumento aos defensores de Westerplatte. Uma guarda de honra observava. A Segunda Guerra Mundial deixou mais de 50 milhões de pessoas mortas em pouco mais de cinco anos. A maioria das vítimas era de judeus.
Discurso constrangedor
Lech Kaczynski, presidente da Polônia, alertou ontem contra a “tentativa de reescrever a história” e comparou o massacre de 22 mil poloneses pela polícia política soviética em 1940 ao genocídio nazista de judeus.
O presidente da Polônia, Lech Kaczynski, defendeu o ponto de vista de seu país em um discurso em que afirmou que em 1939 os soviéticos “esfaquearam a Polônia pelas costas”.
“Os judeus pereceram por serem judeus, e os poloneses foram mortos porque eram poloneses”, disse ele, em referência ao massacre de Katyn (floresta em território russo), para onde foram levados, como prisioneiros, oficiais que compunham a elite militar da Polônia.
Em resposta à invasão alemã, a então União Soviética a seguir também invadiu a Polônia, para limitar àquele país ensanduichado a ofensiva dos alemães.
Evocando Katyn, Kaczynski cobrou desculpas dos atuais dirigentes russos.
Horas antes, em outra cerimônia, em Gdansk ao lado de governantes dos ex-beligerantes, o premiê russo, Vladimir Putin, disse que seu país “sempre respeitou a bravura e o heroísmo do povo polonês”, o primeiro a resistir a Hitler.