A garrafa PET de hoje pode se tornar a camiseta de amanhã. Por meio da reciclagem, é possível transformar duas embalagens de refrigerante de 2 litros em uma camiseta com tecido, preço e qualidade equivalentes a uma peça feita com malha composta por 50% algodão e 50% poliéster. Uma confecção de Bauru, preocupada em oferecer alternativas com impacto ecológico e social positivos a seus clientes, já aderiu à malha PET.
“A gente está sempre buscando materiais alternativos para nossos produtos. No caso da malha PET, ela tem um diferencial de ter o valor social e ambiental agregado porque, quem compra, ajuda a tirar estas garrafas que poluem o meio ambiente e colabora com o trabalho dos catadores”, diz Leandro Martins Silva, proprietário da Artfio, localizada na rua Joaquim da Silva Martha, 17-35, Altos da Cidade.
A malha PET é um tecido composto por 50% de material reciclado a partir de garrafa PET e 50% de algodão. A fibra extraída do Politeraftalato de Elitileno (PET) corresponde ao poliéster tanto em preço quanto em qualidade, com o diferencial de ser produzida no Brasil, uma vez que o poliéster é importado.
“O tecido é idêntico a um feito com 50% de poliéster e 50% de algodão. O toque e o conforto são os mesmos. O tecido também não é quente e tem a vantagem de ser produzido aqui”, explica a designer de moda Fabiana Arcolin.
Normalmente, este tipo de tecido é utilizado em camisetas promocionais e uniformes. O preço de uma peça feita com malha PET varia entre R$ 15,00 e R$ 20,00. “Lógico que tudo depende da estampa, do modelo e da quantidade solicitada pelo cliente. Mas o custo é o mesmo das camisetas com 50% de poliéster que nós vendemos”, afirma Silva.
Embora não haja desvantagens no uso da malha e nem no custo, a confecção ainda enfrenta resistência para implantar o produto no mercado. Apenas 5% das 3 mil camisetas produzidas mensalmente pela empresa são feitas com a malha diferenciada.
“Acredito que, no Interior, diferentemente da capital, as pessoas não têm tanta consciência do problema ambiental causado pelo acúmulo das garrafas e acabam optando pelo que já conhecem”, pondera Silva.
Segundo um levantamento relativo a 2007 realizado pela Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), o Brasil reciclou no ano da pesquisa 53,5% de todo o Pet consumido no país, o que corresponde a 231 mil toneladas deste tipo de plástico. De todo o PET reciclado, 50,5% foram utilizados para produção de fibras têxteis.
Essas fibras podem ser usadas na produção de diversos tipos de tecido, fios de costura, forrações, tapetes e carpetes, mantas de tecido não tecido (TNT), cordas e cerdas de vassouras e escovas (monofilamento).
Ao reciclar ou comprar produtos produzidos com material reciclável, a população contribui para redução do volume de lixo nos aterros sanitários, pois o PET leva mais de 100 anos para se decompor; economia de petróleo, pois o plástico é um derivado deste recurso natural; economia de energia na produção de novo plástico; geração de renda e empregos; dentre muitos outros benefícios ambientais e sociais.
Silva incentiva os empresários a aderirem a malha PET. “As empresas podem fazer uniformes e camisetas para seus funcionários com esta malha. Com isso, vão agregar valor à marca como uma empresa ambiental e socialmente responsável”, sugere.