Polícia

Garota de 13 anos vai para abrigo após ser flagrada com drogas

Por Luiz Beltramin | Com Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Uma adolescente de 13 anos foi encaminhada a um abrigo de Bauru, na noite de ontem, após ser flagrada em casa com duas porções de maconha, além de dezenas de pontas de cigarro que seriam vestígios de consumo do entorpecente. Encaminhada ao Plantão da Polícia Civil, a menina revelou que, mesmo com tão pouca idade, era usuária de drogas e trabalhava como garota de programa, além de realizar pequenos furtos na cidade.

Segundo a adolescente contou ao delegado plantonista Roberto Cabral Medeiros, como a mãe e todos os seis irmãos estariam presos e o pai, hospitalizado, seria com o dinheiro advindo dessas atividades que ela conseguia se manter.

Policiais militares (PMs) chegaram à menina através da denúncia de vizinhos, que teriam informado que um homem de 26 anos a visitava com freqüência para manter relações sexuais e fornecer entorpecentes. Ricardo Neres, chegou a ser detido ao estacionar o carro em frente à residência de dois cômodos onde vivia a menina, por volta das 18h30, mas foi liberado após prestar depoimento, por não haver indícios que o incriminassem.

De acordo com Medeiros, as versões apresentadas por ele e pela garota foram as mesmas. “Eles foram ouvidos separadamente e a menina foi acompanhada por uma conselheira tutelar. Nada deu a entender que eles mantivessem um relacionamento amoroso. Ele e ela disseram ser apenas amigos”, frisa.

Segundo o relato da adolescente, ambos teriam se conhecido na rua há cinco anos, numa época em que ela vendia bala junto com a mãe, que ainda não havia sido presa. Quando ficou sem a companhia de parentes próximos, Neres teria se disposto a ajudá-la. “Ele é casado e disse, inclusive, que levava a esposa para visitá-la de vez em quando”, comenta Medeiros. Era no nome dele que o imóvel de dois cômodos, no Jardim Marajoara, estava alugado. Os escassos metros quadrados eram ocupados há dois meses pela garota, que pagava R$ 100,00 mensais para abrigar sua cama de casal, ursos de pelúcia, Bíblia e maconha.

Proprietária do imóvel onde a menina vivia, a faxineira Thereza Prado revelou que havia notado há pouco tempo o consumo de droga no local por parte da adolescente. “Comecei a desconfiar, sentia um cheiro forte. Ele (Ricardo), vinha aqui uma vez por dia”, comenta. “Dizia que havia tirado a menina da Febem”, acrescenta.

Como testemunhas haviam afirmado que Neres levava, diariamente, comida e drogas para a menina, os policiais saíram ao seu encalço, mas ele acabou sendo detido em frente à casa onde estava a adolescente. Ele chegou dirigindo um Monza e, mesmo com duas viaturas no local, estacionou o veículo, momento em que rapidamente foi abordado.

Com ele, que alegou inocência – “não fiz nada, sou trabalhador”, disse - a polícia encontrou outras porções de maconha. Momentos depois, em sua residência, também foram localizadas uma metralhadora de brinquedo e duas toucas ninja. Como não houve flagrante de nenhum crime, o boletim de ocorrência foi registrado como apreensão de entorpecente, Neres foi liberado e a menina, encaminhada a um abrigo.

Comentários

Comentários