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Mecânico transforma sucata em arte

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

Pedaços de escapamentos, amortecedores, paletas gastas de limpadores de pára-brisas, molas, parafusos, entre outras peças de carro usadas, que, geralmente, têm como único destino o ferro-velho, tornam-se arte pelas mãos do mecânico Roberto Honda, de 41 anos.

Proprietário de uma loja de escapamentos da avenida Duque de Caxias, em Bauru, nas horas vagas ele transforma ferragens inutilizadas de carros em detalhadas esculturas, que já renderam até mesmo reconhecimento em concursos de âmbito nacional.

Aficcionado por arte e artesanato há cerca de 15 anos, Honda conta que aprendeu sozinho a moldar desde detalhadas miniaturas de carros, motos até um boneco com cerca de um metro de altura, com articulações na cintura e mãos com dedos de parafusos. Seu principal “professor”, afirma o artista, sempre foi a curiosidade.

“Sempre gostei de fazer essas coisas e sou muito curioso”, acrescenta Honda, cuja maioria das peças concebidas em metal ganha forma apenas com a utilização de maçarico e, obviamente, muita criatividade. “A idéia vem do nada”, comenta o mecânico, que também esbanja habilidade no entalhamento de madeira e pintura em óleo sobre tela.

Mas, em meio à grande quantidade de miniaturas, brinquedos e outras “invenções”, o que chama grande atenção de quem passa pela quadra 2 da Duque, principalmente crianças, é mesmo a escultura metálica que “mexe” mãos e cintura em frente à loja e oficina do artista.

Foi o “boneco” que lhe rendeu dois vice-campeonatos em concursos de âmbito nacional, realizados pela fabricante de escapamentos Vanzin. Conforme Honda, podem concorrer apenas obras feitas com esse tipo de peça automotiva.

A rusticidade dos objetos metalizados conjugada com a riqueza de detalhes nas peças concebidas por Honda despertou o interesse de clientes em potencial. Contudo, o alto custo para produção em escala comercial, o impede de “capitalizar” o talento artístico. “Só uso maçarico. Para vender eu teria que produzir com uma solda elétrica, mas é um equipamento com custo muito alto”, justifica.

Empenhado nos preparativos para a inauguração de uma pizzaria, ao lado da loja e oficina, Honda exibe com orgulho os adornos e até mesmo partes da edificação feitas também com as próprias mãos. Sobre o balcão, ao lado de uma parede decorada com artesanato, uma miniatura de pizzaiolo feita com restos de paletas de limpadores de pára-brisa, que, apesar dos detalhes, inclusive na pizza “exibida” pelo boneco, foi produzida em apenas duas horas e dá as boas-vindas aos clientes.

O hobby e aproveitamento de material descartado na oficina, afirma, são as maiores motivações do artista que, a exemplo de outros, lamenta a pouca valorização de obras, de forma geral. “Gostar, todo mundo fala que gosta, agora quando a gente fala em valor, a coisa muda”, lamenta.

Mas Honda não desanima. Prestes a entrar em um novo ramo de arte, ele se diz confiante em produzir, a partir de agora, belas e, principalmente, deliciosas “obras”. “Gosto muito de mexer com comida também, então resolvemos montar a pizzaria”, entusiasma-se.

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