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Genocídio ainda

Iolanda Toshie Ide
| Tempo de leitura: 3 min

Há poucas semanas, documentário da série A´UWÊ tratou da tentativa de extermínio do índios Awá na década de 60. Uma mulher, já idosa, narrou o massacre. Para perpetuar a cultura, continuou com os cultos até então realizados pelo pagé, fazendo questão de manter a língua emanter viva a história do massacre.

Iniciada há cinco séculos, pensava-se que o etnocídio fosse coisa do passado, mas continuam impunemente. De acordo com o comunicado da Coordenadora Andina de Organizações Indígenas (CAOI) e da Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC), na manhã do dia 26 de agosto último, mais uma vez os Awá, desta vez os que habitam na Colômbia,foram vítimas de tentativa de genocídio por parte de homens com vestes militares, encapuzados, sem os distintivos de identificação. Dentre os cerca de 9 mortos, há crianças de dez, oito e um ano de idade. Em maio havia sido assassinado pelo exército o índio Gonzalo Rodríguez. Agora também a viúva Tulia García e mais dois filhos foram. Há outros feridos.

Dias antes, no Chile, Jaime Facundo Mendoza Collío, jovem índio Mapuche de 24 anos foi morto por um suboficial do “Grupo de Operaciones Policiales Especiales (GOPE) do Corpo de Carabineiros do Chile, com um tiro pelas costas. Jaime foi morto enquanto, com outros oito jovens índios, praticava esportes típicos com boleadeiras e “hondas”. Dois dias antes o ministro do interior acompanhado do ministro da defesa, tinham estado na aldeia. Aliás, o território Mapuche foi, desde o século XIX, ocupado pelo exército.

Os massacres de indígenas fazem parte da história das Américas. Iniciados por portugueses e espanhóis, prosseguiu para satisfazer os interesses dos imperialistas britânicos e estadunidenses. Hoje, as transnacionais e as novas oligarquias dão conta de desalojar os povos indígenas para explorar seus territórios.

No mês de junho, o presidente do Peru Alan García enviou tropas, helicópteros e uma sofisticada parafernália para atacar os índios da Amazônia peruana que tentavam defender seus territórios contra a entrada das multinacionais mineradoras. (Em 1986, o mesmo Alan García ordenara aos militares o bombardeio de presos, resultando e mais de 400 mortos). As várias etnias indígenas da Amazônia peruana reagiram com protestos durante mais de sete semanas inclusive bloqueando estradas transnacionais. A violenta resposta do governo resultou em dezenas de indígenas mortos e outras dezenas de desaparecidos: de helicópteros os índios foram lançados ao rio.

O índios Oro Wari do Brasil também estão ameaçados de expulsão para a construção das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio no rio Madeira. A despeito da Constituição do Brasil e da Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, os Oro Wari e os demais 24 Povos Indígenas dessa região não foram consultados sobre a construção das hidrelétricas. Se houver reação poderá ocorrer massacres.

No dia 17 de agosto, o Alto Comissariado da ONU para os refugiados (ACNUR), informou que o número de refugiados da Colômbia chega a 70 mil, resultado do conflito do governo com grupos rebeldes. Dentre os refugiados há muitos/as indígenas, na maioria mulheres e crianças.

Corre sangue quando se trata da defesa da Abya Yala, ou seja, Terra Firme, Terra Madura, na língua da etnia Kuna.

A autora, Iolanda Toshie Ide, é presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulheres de Lins e professora aposentada da Unesp

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