Mesmo na reserva da Polícia Militar (PM), há cinco anos consecutivos, faça sol ou faça chuva, um grupo de policiais participa do desfile de 7 de Setembro em Bauru, em comemoração à Independência do Brasil. Hoje eles estarão novamente no evento cívico-militar, a partir das 8h45, no Sambódromo, para relembrar a época que atuavam na segurança pública e as histórias do período da ativa.
Já com suas fardas especialmente preparadas para o desfile da Pátria, ontem eles adiantaram ao JC lembranças de salvamentos, resgate e curiosidades que vivenciaram em Bauru e região. O sub-tenente José Roberto de Almeida, 51 anos, que entrou para a reserva há dois anos, conta que uma das experiências mais marcantes da sua carreira ocorreu durante atuação no Policiamento Rodoviário.
Em patrulhamento na rodovia Marechal Rondon, há uns dez anos, sobre o viaduto que corta o município de São Manuel, ele avistou uma adolescente em situaçãode risco. “Nós fomos até ela, conversamos e descobrimos que ela estava tentando se matar, esperando que passasse um caminhão para ela saltar do viaduto na frente dele”, revela.
“Ela se sentia muito envergonhada e não queria contar para a família que, solteira e com 16 anos, estava grávida do namorado. Depois de algum tempo, tudo acabou sendo resolvido”, conta ele. O sargento Ilson Lopes Pinto, 70 anos, outro veterano, também foi protagonista de uma história que terminou em final feliz.
Só que, nesse caso, ele também poderia ter se tornado uma vítima. Em abril de 1975, durante patrulha de rotina, ajudou a impedir que um homem se atirasse do viaduto João Simonetti, na rua Treze de Maio. O homem estava desesperado porque havia largado o emprego e passava por necessidades financeiras.
“Eu fiquei dependurado junto com ele. Se não fosse a ajuda de populares que estavam passando pelo viaduto, eu e ele teríamos caído na linha férrea”, explica. O também veterano sargento Edson Ventrice, 55 anos, que trabalhou no Tático Móvel, perdeu a conta de quantas pessoas ajudou a salvar durante as constantes enchentes ocorridas na avenida Nações Unidas.
Contudo, o fato mais marcante de sua carreira envolveu o salvamento de duas vidas. “Eu fiz um parto na Vila São Manoel, onde atravessei o rio com uma menina de 13 anos grávida, nas costas, chovendo”, diz. “Conseguimos fazer o parto no chão, quando já estava chegando o antigo Samdu (Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência). Nossa vida foi essa, sempre ajudando a população”.
Salvamento
O salvamento em água também era a especialidade do 3º sargento Américo Paes Filho, 58 anos, outro policial aposentado, que também atuou no combate a grandes incêndios, como o ocorrido no antigo supermercado Santo Antônio, localizado no Jardim Cruzeiro do Sul, e no socorro de vítimas de graves acidentes automobilísticos.
Contudo, segundo ele, os fatos mais marcantes referem-se ao salvamento de crianças vítimas de afogamento. “A gente via o desespero dos pais, que queriam pular na água quando o corpo era trazido para a margem”, conta.
Já o 1º sargento Roberto de Oliveira Baptista, 65 anos, vivenciou um fato que entrou para a história de Bauru: a explosão da avenida Nações Unidas, em 1978. “Eu estava realizando a escolta do então excelentíssimo senhor presidente da República, Ernesto Geisel, quando ele visitou Bauru. Assim que passamos pela Nações Unidas, no quarteirão acima, houve a explosão”, explica. “Falaram que era um atentado”, completa.
Apesar do susto, depois de algum tempo, descobriu-se que, na realidade, a explosão havia sido provocada pelo derramamento de combustível de um caminhão-tanque que se acidentou na Alameda Octávio Pinheiro Brisolla. O produto escorreu pelas galerias pluviais e um cigarro aceso provocou a explosão de grande o trecho da via.
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Época do pombo-correio
Para o coronel Domício Silveira, outro policial da reserva que faz questão de desfilar e que chegou a Bauru em maio de 1949, o que não faltam são histórias para contar. Com 89 anos, e considerado o oficial mais antigo da corporação, Silveira diz que chegou a acompanhar a troca de mensagens entre os quartéis de Bauru e São Paulo através de um meio inusitado: o pombo-correio. “Ele chegava lá, o Quartel-General recebia a mensagem, soltava o pombo e ele vinha para cá”, explica.
É claro que a comunicação tinha suas limitações. “O pombo não pode ficar longe de casa mais do que quatro dias. Se ele ficar mais do que quatro dias, não saberá onde está”, diz. “A vantagem é que era rápido e a desvantagem é que ele podia ser abatido por um gavião”.
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Desfile de 7 de Setembro
O desfile cívico-militar que comemora os 187 anos da Independência do Brasil, organizado pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel), será realizado hoje, a partir das 8h45, no Sambódromo, com entrada gratuita. A programação tem início com apresentação dos Grupamentos Militares ao comandante do desfile e hasteamento dos pavilhões.
A última agremiação a desfilar será o Liceu Noroeste que, através da sua Banda Marcial, executará duas músicas em frente ao palanque. Previsto para começar às 9h, o desfile será dividido em Grupamento Militar, Grupamento Especial e Grupamento Escolar.