Regional

Atleta paraplégico quer flutuar por 10 horas e bater recorde brasileiro

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos - Um exemplo de determinação, alegria e força de vontade. Essas são as palavras que definem o atleta paradesportivo Roberto Gonçalves, morador de Agudos. Com 47 anos e paraplégico desde os 11 meses devido à paralisia infantil, o atleta quer provar que não existem limitações para aqueles que buscam a superação. Para isso, ele quer permanecer por 10 horas flutuando em um aquário de vidro.

Mas ele tem preparo para tentar o feito. Roberto já ganhou diversas medalhas de ouro em competições paradesportivas regionais e estaduais de natação. “Eu também sou recordista nacional de nado livre em distância, com 4.750 metros. Sou o primeiro deficiente físico a fazer salto de pára-quedas e o primeiro a mergulhar no mar com a marca de 38 metros”, revela.

O atleta conta que a idéia de estabelecer um recorde brasileiro surgiu por acaso, durante pesquisa pela Internet, quando descobriu que um senhor de 72 anos levitou por 10 minutos em uma piscina, na posição vertical, apenas com pescoço e braços fora da água. “Só que ele fez o tempo de 10 minutos. E eu estou treinando para 10 horas”, adianta.

Para bater o recorde, Roberto conta que está treinando para a prova pelo menos uma vez por semana em uma chácara cedida por uma pastor da cidade, com o apoio de sua irmã, que também é sua treinadora. Além disso, o atleta está buscando patrocínio para a construção da estrutura do aquário que foi orçada em cerca de R$ 3,5 mil, sem os vidros.

“O aquário vai ser feito com três lados e o fundo de ferro. Só a frente dele será de vidro”, explica. Para baratear os custos, uma avaliação será feita para verificar se os vidros podem ser trocados por acrílico.

A prefeitura de Agudos já teria demonstrado interesse em contribuir com o atleta para a realização da prova, prevista para a primeira quinzena de dezembro. “A prefeitura está me ajudando”, revela. Além disso, ele diz que já conta com o patrocínio de empresas do município como uma oficina mecânica e uma funerária. “Se Deus quiser, vai dar certo”, anuncia.

Roberto explica que, se ficar 10 horas flutuando, para ter o recorde reconhecido, a prova será supervisionada por seis juízes, divididos em três turmas. “O Livro do Guinnes brasileiro tem duas opções para fazer a homologação de um recorde. Ou você paga um juiz credenciado por eles para acompanhar a prova, o que aumenta o custo, ou você grava toda a prova, com autoridades da cidade acompanhando”.

O assessor de Esportes da prefeitura de Agudos, Luiz Carlos de Paula, o Negreira, adianta que o município vai oferecer toda a estrutura física para realização da prova, inclusive com a cessão do Ginásio Municipal de Esportes. “A prefeitura vai dar total apoio para ele”, diz. “Ele nos procurou e o prefeito me colocou para fazer tudo o que ele precisar”.

Segundo Negreira, no dia da prova de flutuação, como forma de ampliar as opções de lazer para a população da cidade, a prefeitura vai realizar um evento paralelo reunindo pessoas com e sem necessidades especiais para participarem de jogos de cartas, dominó e dama. Quem puder contribuir de alguma forma com o atleta pode entrar em contato com ele através dos telefones (14) 9727-1197, (14) 9657-2128 ou (14) 3262-4454. Roberto aceita dinheiro, vidros e acrílico para a confecção do aquário e de um aquecedor de água para a piscina.

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