Enquanto conversávamos pela Internet, perguntei a um amigo o que faria no final de semana. Abordagem básica. A resposta, porém, fugiu do convencional. Disse que participaria de uma “saída para fotos”. Quando não entendo, pergunto. Para que carregar a dúvida? Ele não daria entrevista, não era modelo nem fotógrafo e não estava de brincadeira. Trata-se de atividade e expressão novas. Logo que lhe questionei o significado da expressão, adiantou-me o endereço de uma página eletrônica que continha várias fotos tomadas por lazer de objetos e lugares ordinários. Gansos no lago da cidade e paisagens sobre a linha do trem. Em poucas delas, saíram pessoas. Deduzi que “saída para fotos” se refere a um encontro entre amigos que se reúnem para fazer passeios com a finalidade de tomar fotos para colecioná-las em álbuns ou portais na Internet. O detalhe é que são fotos de cenários, objetos e paisagens.
Bom passatempo. Antigamente as câmeras fotográficas eram caras, de proporções enormes, não tinham tantas opções quanto as atuais para editar as imagens, o tripé tinha que estar junto para apoiar o peso, e demandavam um profissional para tomar as fotos. Hoje é assim: a posse de uma câmera fotográfica é muito mais acessível, ela é mais compacta que em décadas anteriores, pode até servir de filmadora, é um bem imprescindível para muitos viajantes, e a imagem que não ficar boa pode ser apagada num clique. A câmera tornou-se uma parceira indispensável quando saio a passeio a outras cidades e para flagrar momentos familiares que mais adiante terei vontade de reviver em imagens. Fotos que podem armazenar-se em pastas no disco rígido do computador se não se as revela.
Desde as fotos amadoras até as de finalidades ocupacionais, a tecnologia fotográfica tem sido profícua. Já vi gente usando câmera profissional para fotografar aranha de estimação e câmera comum para gerar imagem de pessoas famosas para reportagem. Tem de tudo. Têm os que são “fotogênicos” e adoram posar até no segundo plano de imagens feitas por câmeras de terceiros. Têm os que procuram primeiramente a si mesmos numa foto tomada entre uma coletividade de amigos ou familiares. Este é um fenômeno que a psicologia e os profissionais de relações humanas gostam de avaliar. Não é curioso que a maioria das pessoas busque a si mesma numa foto em primeiro lugar e se apresse a apontá-la antes de comentar a presença de outro? O eclipse solar que escureceu em julho por alguns minutos países da Ásia foi capturado pelo diletantismo e outras câmeras que traduziram imagens à linguagem da Internet para os espectadores que estavam em áreas não cobertas pelo fenômeno.
Flash, edição, digital, visor, memória e bateria são palavras que aterrissaram no vocabulário de quem não precisa ser profissional da área fotográfica para captar, manter e transferir imagens com facilidade e qualidade. Qual será a expressão que vai pegar daqui a algumas décadas? Já não duvido de nada nem hesito em fazer previsões. Esta semana mesmo vi uma notícia sobre uma empresa estadunidense que planeja construir estações de férias na Lua. Será então “saída para fotos” na Lua?
O autor, Bruno Peron Loureiro, é bacharel em relações internacionais