Geral

Vítima de gripe suína espera mais de 18h para ser enterrada

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O pedreiro Michel Augusto Fernandes Granato, 33 anos, foi a sexta vítima fatal de gripe suína em Bauru, conforme consta no atestado de óbito. A informação, porém, não foi confirmada pela Secretaria Municipal de Saúde. Além da dor da perda, a família de Granato ainda precisou esperar 18 horas, com o corpo no cemitério, para enterrá-lo. O caixão especial, maior que os comuns, entalou no túmulo na primeira tentativa de enterro, no final da tarde de domingo.

O caixão foi, então, coberto com uma lona, até a manhã de ontem, quando finalmente o corpo de Granato foi enterrado. O fato aconteceu no Cemitério São Benedito e foi registrado em boletim de ocorrência pela mulher da vítima, Ana Lúcia Prado Pitoli.

Problema semelhante no sepultamento aconteceu no mês passado no Cemitério da Saudade, quando uma família passou pelo constrangimento de ter de esperar por mais de uma hora para conseguir enterrar um ente por causa do caixão de tamanho especial, que também não cabia no túmulo comum, como noticiou o JC.

Na ocasião, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que administra os cemitérios municipais, prometeu apurar o caso e acertar a comunicação entre funerária e cemitério em caso de morto obeso que exige caixão e túmulo de tamanhos especiais. Porém, após 18 dias, o problema ocorreu de novo.

Procurado pelo JC ontem, o presidente da Emdurb, Rubens Ribeiro Barros Filho, o Rubito, garantiu que vai tornar obrigatória a comunicação da funerária com a administração do cemitério e com o coveiro todas as vezes que o caixão fugir ao padrão.

“Quero que seja feita uma comunicação oficial para que isso não ocorra mais. As funerárias vão ser obrigadas a informar se a urna é baleia (tamanho especial) ou não. A funerária tem que avisá-lo (coveiro) para que o túmulo seja aberto totalmente para que o caixão caiba na sepultura”, afirma.

A tarefa deverá começar pela própria Emdurb, uma vez que no caso de Granato a funerária responsável pelo sepultamento era a Cidade de Bauru, ligada à autarquia. Rubito frisou que o fato é atípico e inadmissível.

A mulher do pedreiro, diz que ficou chocada com a situação. “O enterro estava marcado para às 16h porque o Michel tinha morrido às 3h da madrugada. Saímos do cemitério por volta das 18h sem conseguir enterrá-lo, deixando a urna coberta com uma lona”, comenta.

____________________

Família sofre duplamente

Em poucos dias, a família do pedreiro Michel Augusto Fernandes Granato, 33 anos, enfrentou o drama dele ser internado, morrer e a dificuldade de enterrar o corpo. A situação causou um choque. “Meu marido estava bem até quarta-feira. Na sexta-feira foi internado e na madrugada de domingo, morreu. Fomos enterrá-lo e tivemos problema”, relata a viúva Ana Lúcia Prado Pitoli, 31 anos.

Granaro foi enterrado no túmulo da família de Ana Lúcia, na primeira gaveta. “O caixão era grande demais. Sobrou espaço nos pés e dos lados. Meu marido pesava 158 quilos”, conta.

Segundo Ana Lúcia, o coveiro forçou a entrada da urna no túmulo. “O caixão ficou entalado e não saía mais. Procurei a polícia para registrar BO”, completa.

Comentários

Comentários