O presidente da Associação SOS Cerrado, Amilton Marques Sobreira, fará uso da Tribuna da Câmara Municipal de Bauru hoje para falar sobre o Dia do Cerrado, comemorado em 11 de setembro, e das inúmeras vantagens de se preservar o segundo maior bioma do País. O ativista também irá fazer um alerta: a destruição do cerrado pode provocar sérios problemas de abastecimento.
“A maioria dos rios tem sua nascente na área de cerrado, que está sendo atacada pelos empreendimentos imobiliários e agricultura, porque as pessoas não estão entendendo o valor das diversas espécies da fauna e flora silvestres, que podem desaparecer”, afirma. Muitas nascentes e áreas alagadas serão suprimidas e assoreadas, reduzindo a disponibilidade de água para os diversos usos; parte dos solos será erodida e desertificado, podendo haver alteração no clima regional.
Além disso, o presidente da Associação SOS Cerrado explica que a riqueza de plantas medicinais pode ajudar na cura de doenças. “Temos como meta, desafio, fazer com que se chegue a produção brasileira de remédios à base de plantas do cerrado, porque isso tem sido explorado por estrangeiros por debaixo dos panos. São mais baratos, não produzem reações adversas e também são mais eficazes”, diz.
Cerca de 70% do cerrado de Bauru estão em unidades de proteção ambiental, de acordo com o Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Os outros 30%, aproximadamente, estão em áreas privadas, sujeitas à devastação. Em áreas de preservação estão a reserva legal da Unesp, o Jardim Botânico Municipal (com alguns pontos de mata próximo aos rios) e a reserva ecológica Sociedade Beneficente Doutor Enéas de Carvalho Aguiar, onde está situado o Instituto Lauro de Souza Lima.
Mas a situação de Bauru é exceção frente a outras regiões paulistas. Do cerrado original, que cobria 21% do Estado, restou apenas 1%. Na época, os outros 80% eram de mata. Bauru contava com os dois tipos de vegetação. À esquerda do rio Bauru, sentido Bela Vista, havia mata. Para o lado da Unesp, cerrado. Para mantê-los preservados atualmente, a população deve denunciar desmatamentos irregulares. “Vamos pedir ajuda dos vereadores para o trabalho de conscientização. Que o cerrado não deve ser visto com empecilho ao progresso.”