É 2º feira. O dia amanheceu colorindo o céu; as garças brancas atravessavam o vale para mais um dia; os sabiás cantavam e o sol se levantava, mas um silêncio estranho denunciava a tristeza e o vazio que todos sentiam. È como se a natureza não tivesse se apercebido que o amigo Geraldo não estava mais entre nós. O velho fusca branco não chegou cedo; o portão continuou fechado, não se ouviu o preparo da café que tomava todos os dias com o jovem amigo que viu nascer; o par de botinas permaneceu no canto, sem que seu dono viesse pegá-las. Os amigos se entreolhavam com lágrimas nos olhos - Que falta nosso amigo Geraldo faz! - Aonde está aquele “ veio”? Ele não pode nos deixar, dizia o outro; como vou ficar sem a ajuda de meu amigo, lastimava a mais jovem. Na cadeira de balanço, a velha senhora pensava no amigo que não mais virá visitá-la. No vazio da garagem, na voz mineira e amiga que não se ouve mais, onde está Geraldo? Mas no vulto que se jura ver lá está o amigo de tanto anos!!!! E quando chego tarde da noite, a tristeza da casa apagada me faz olhar para o ceú, e lá está ele, é mais uma estrela que brilha distante, mas que ilumina a todos nós. E assim vamos vivendo, amando, sofrendo, vivendo!
Adelaide Magalhães Rocha Padilha - Fazenda da Mina