Rio - O desfile de 7 de Setembro ontem no Rio foi realizado sob protestos do “Grito dos Excluídos” e de ex-soldados especialistas demitidos pela Aeronáutica. Os primeiros ficaram, de fato, excluídos da festa.
Só foram autorizados a “desfilar” na avenida Presidente Vargas quando todo o palanque de autoridades já estava desmobilizado e o público de cerca de 8 mil pessoas ia embora. A Marinha fez ainda desfile naval, com dez navios e mil militares, da Barra da Tijuca (zona oeste) ao Leme (zona sul).
Os ex-militares protestaram fazendo mais barulho, com apitos e faixas amarelas, durante a parada. Reclamam ter sido dispensados da Aeronáutica seis anos depois de aprovação em concurso público. A Aeronáutica alega que o edital do concurso era para temporários, o que os demitidos contestam, com base nos editais de 1994 a 99 - que não fazem referência expressa a isso.
O vice-presidente da Associação Nacional de Ex-Soldados Especialistas da Aeronáutica (Anese), João Carlos Viegas, afirmou que mais de 15 mil soldados especialistas foram demitidos a partir de 2001. “Fomos todos demitidos de forma injusta. Nós entramos por concurso público e somos permanentes, com previsão de plano de cargos e ascensão até oficial. Não existia nenhuma referência à temporariedade nos editais”, disse.
Segundo ele, há ações na Justiça aguardando decisão e alguns colegas conseguiram a reincorporação. Nas faixas, os manifestantes diziam que a “Força Aérea faz propaganda enganosa e editais de concurso. Resultado: Milhares de jovens ficam desempregados”.
Militares e a Polícia Militar impediram a participação do Grito dos Excluídos, união de diferentes organizações, no desfile oficial. Só minutos após a programação normal, finalizada pelas cavalarias do Exército e da PM, a pista foi liberada.
Os protestos variaram de cartazes contra o “Choque de Ordem” da prefeitura, o preço do ônibus municipal, a pedidos por passe-livre para desempregados e faixas cobrando “Fora Sarney: cadeira para os corruptos e corruptores”, da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas).
A economista Tatiana Brettas, doutoranda da Uerj e integrante da “Assembléia Popular”, defendia a canalização dos futuros recursos do Pré-Sal em Educação, Saúde e Transporte, bandeiras do movimento.