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Projeto quer incentivar uso de bikes

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 4 min

Andar de bicicleta em Bauru é um desafio. Buracos, falta de espaço adequado nas vias, inexistência de sinalização específica e desrespeito por parte dos motoristas tornam o caminho do ciclista uma verdadeira prova com obstáculos. O projeto de lei Pedala Bauru, idealizado pelo vereador Fernando Mantovani (PSDB), pretende mudar esta realidade por meio da criação de ciclovias, ciclofaixas, bicicletários, paraciclos e diversas outras iniciativas que melhorem as condições de deslocamento do ciclista.

“Essa lei prevê a criação de projetos de sensibilização das pessoas para que elas entendam que é moderno, é saudável e é ecológico andar de bicicleta”, explica Mantovani.

Dentre as iniciativas propostas pelo projeto de lei está a criação de ciclovias e ciclofaixas. Trata-se de espaços destinados especificamente à circulação de bicicletas. As primeiras são vias separadas da principal, com mão-dupla e de uso exclusivo das bicicletas. Já as segundas são faixas de trânsito em um único sentido que são compartilhadas entre veículos motorizados e não motorizados, sendo que os últimos têm a preferência.

Para o vereador, as principais candidatas a receber ciclovias seriam as avenidas com canteiros centrais largos, que poderiam ser abertas para comportar o trânsito de bicicletas, como a Nações Unidas e a Comendador José da Silva Martha.

No entanto, o primeiro passo do Pedala Bauru seria criar uma ciclofaixa de lazer na avenida Getúlio Vargas, no entorno do Aeroclube. “Criaríamos a faixa no lugar onde os carros estão estacionados durante a semana, faríamos toda a sinalização específica e, aos domingos, em um horário determinado, o estacionamento seria proibido e só seria permitida a circulação de bicicletas neste espaço”, diz Mantovani.

Segundo ele, esta seria uma forma de acostumar a população com a idéia e estimular a educação no trânsito voltada ao uso da bicicleta. Após essa etapa, seriam instaladas as demais ciclovias no restante da cidade priorizando os bairros com maior número de ciclistas.

Outra proposta é criar bicicletários e paraciclos, locais destinados ao estacionamento de bicicletas, sendo que o primeiro abriga o veículo por um tempo maior, como por exemplo, durante o dia de trabalho do proprietário, e o segundo serve apenas para uma parada rápida.

“As pessoas não se sentem seguras de ir a algum lugar de bicicleta se tem que deixá-la na rua. Estes espaços vão facilitar nesse sentido”, declara Mantovani.

O Pedala Bauru pretende ir ainda mais longe, viabilizando rotas ciclísticas entre a cidade e os municípios vizinhos, estimulando o turismo. Todas as iniciativas têm como objetivo fazer de Bauru um lugar ideal para deslocamento por meio de veículos não motorizados que trazem benefícios para a cidade, minimizando os danos ao meio ambiente e melhorando a fluidez do trânsito, e ao ciclista, que fica mais saudável e economiza.

Em 22 de setembro, Dia Mundial Sem Carro, às 19h30, haverá uma audiência pública na Câmara Municipal para discutir o projeto de lei. Toda a população está convidada a comparecer e apresentar suas idéias a respeito do tema. Os ciclistas mais animados poderão também participar da bicicletada, que sairá às 18h da quadra 22 da avenida Getúlio Vargas, rumo à Câmara. Basta comparecer com sua bike no local.

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Bauru tem duas ciclovias

Atualmente, Bauru conta apenas com duas ciclovias: uma às margens da vicinal Horácio Frederico Pyles, conhecida como prolongamento da avenida Rodrigues Alves no trecho que liga o Núcleo Octávio Rasi ao Distrito Industrial 1, e outra na avenida Edmundo Carrijo Coube.

O número é baixo de acordo com as estimativas do vereador Fernando Mantovani, que acredita que exista uma bicicleta para cada carro circulando na cidade, o que significaria uma frota de cerca de 200 mil bikes.

“Eu acredito que para cada carro que a gente tem, tenha uma bicicleta em casa. Só que as pessoas estão com essa bicicleta empoeirando na garagem porque não sentem segurança para usar a bicicleta, é arriscado”, diz o vereador.

Realmente, a situação dos ciclistas não é nada confortável na cidade. Até agosto deste ano já houve 87 acidentes envolvendo bicicletas, sendo que duas pessoas morreram.

José Adolfo Mariani Neto, estudante de educação física opta pelo transporte não motorizado para se deslocar até a faculdade, mas reconhece que a situação é difícil. “Para bicicleta a situação é mais difícil, tem muito buraco, carro que passa correndo, não tem sinalização. Quem anda todo dia acaba desenvolvendo estratégias para se locomover e não sofrer acidente”, comenta.

Visita a Bogotá

O vereador Fernando Mantovani (PSDB) pretende visitar a Capital da Colômbia, Bogotá, em breve. A visita se deve ao fato da cidade ser modelo mundial no transporte não motorizado.

“Cidades como Sorocaba já implementaram projetos de transporte não motorizado e foram inspiradas pelo modelo colombiano. Como eu já sei qual foi a fonte de inspiração, também quero ir conhecê-la para trazer o que há de melhor para nossa cidade”, diz.

A viagem ainda não tem data marcada. O vereador aguarda resposta a um ofício enviado à Prefeitura de Bogotá solicitando a visita.

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