Regional

Vestibular de curso de faculdade de Sta. Cruz é suspenso pelo MEC

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Santa Cruz do Rio Pardo - O Ministério da Educação (MEC) decidiu suspender ontem o processo seletivo para o curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Carlos Queiroz (Fafil), em Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru). A medida, que deve resultar em mudanças, inclusive na coordenação e na direção do curso, atinge outras nove escolas em todo o País.

Para que novos alunos possam ser admitidos, a unidade de ensino deverá realizar adaptações na sua estrutura visando a melhoria nas futuras avaliações do curso de Pedagogia. Dentro de dez dias, contados a partir da notificação, a faculdade deverá informar quais medidas foram adotadas para o cumprimento da determinação de suspensão do ingresso de novos alunos.

A decisão de suspender o vestibular, publicada pela Secretaria de Educação Superior (Sesu) do MEC, através de medida cautelar administrativa, foi tomada após período de supervisão do órgão na faculdade, motivado por resultados insatisfatórios no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) nos anos de 2005 e 2008, no conceito preliminar de curso (CPC) e no indicador de diferença entre desempenhos observado e esperado (IDD) de 2008. A Fafil obteve nota 2 nas avaliações, em uma escala gradativa que vai de 1 a 5.

No Diário Oficial da União (DOU) de ontem, o MEC informa que a medida é para proteger os potenciais estudantes e alega que as dez faculdades demonstraram “ausência de condições mínimas de funcionamento dos cursos de Pedagogia já submetidos a processo de supervisão”, fator que “compromete de maneira irreversível a formação dos estudantes”.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o MEC anuncia que o retorno dos vestibulares deverá ocorrer somente após os resultados das avaliações de 2009, o que leva, em média, um ano. “Elas (as faculdades) podem voltar a admitir novos alunos quando melhorarem suas avaliações”, informa. “A suspensão foi determinada porque elas repetiram as avaliações baixas e tiraram notas 1 e 2”.

O presidente da Organização Aparecido Pimentel de Educação e Cultura (Oapec), mantenedora da faculdade, Benedito Pimentel, reuniu-se na tarde de ontem com diretores e coordenadores da unidade para tentar entender os motivos que levaram o curso de Pedagogia a obter classificação baixa nas avaliações de ensino. “Nós temos cursos muitíssimos bem avaliados nessas questões do Enade”, conta. Segundo ele, a Oapec está há 52 anos na cidade. Já o curso de Pedagogia existe há 38 anos. “E nunca passou por uma fase dessas”, diz.

Pimentel revela que, desde 2005, a faculdade vem sendo acompanhada pelo MEC. “Já foram feitas gestões para alterar a qualidade do curso nesse período e, em 2008, teve uma outra oportunidade no Enade e confirmou o resultado de 2”, explica. O presidente aponta como um dos fatores responsáveis pelos resultados da má qualidade de alguns alunos que apresentam grandes dificuldades na leitura, escrita e interpretação de textos. “Na verdade são alunos que há muito tempo pararam de estudar, ou alunos que vêm procurar aquilo que seria talvez o curso mais barato”, diz.

Contudo, Pimentel ressalta que, apesar de justificar em parte a nota 2, a baixa qualidade de alguns alunos não pode servir de desculpa para essa queda no nível de rendimento escolar da faculdade. De acordo com ele, há quatro anos, o curso de Pedagogia era um dos mais qualificados pelo MEC. “Houve uma acomodação em termos de cobrança dos alunos pelos professores”, avalia. “E isso a gente vai solucionar no menor espaço de tempo possível”. Ele não descarta, inclusive, mudanças na coordenação e na diretoria do curso.

Na avaliação do presidente da Oapec, antes de pensar no retorno dos processos seletivos, a faculdade deverá fazer ampla reestruturação nos procedimentos hoje adotados. Esse processo é chamado por ele de “mecanismos de nivelamento”. “É tratar o aluno como ele precisa ser tratado, ou seja, criar horas-extras de aula, tarefas em casa e trazer o aluno aos sábados na escola para tentar suprir aquela deficiência que ele tem desde que entrou na escola. E isso, na verdade, não foi feito até o Enade de 2008”.

Além da Fafil, a medida cautelar determinada pelo MEC abrange as Faculdades Integradas Diamantino (MT), Faculdade de Jandaia do Sul (PR), Faculdade de Ilha Solteira (SP), Faculdades Integradas de Naviraí, Faculdades Integradas de Cassilândia e Faculdades Integradas de Paranaíba (MS), Faculdade Jesus, Maria, José, Faculdades Integradas da Terra de Brasília (DF) e Instituto de Ciências Sociais e Humanas (GO).

Comentários

Comentários