Tribuna do Leitor

“Caminho das Índias” - “Tarso”


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A novela terminou. A Rede Globo, Gloria Peres e Bruno Gagliasso prestaram um grande serviço aos esquizofrênicos e suas famílias. A abordagem do tema da forma como se apresentou esclareceu a sociedade quanto ao drama vivido por pessoas que padecem desse mal. Só quem tem um esquizofrênico dentro de casa sabe o que ocorre no dia-a-dia. A luta antimanicomial obteve sucesso com o fechamento dos hospitais psiquiátricos.

O governo aplaudiu a iniciativa, pois a medida deve ter resultado em grande economia aos cofres públicos. Criou-se um “vazio” . Caímos em outro extremo e, como dizia Santo Agostinho, “a virtude está no meio”. Hoje, a família se vê sozinha para cuidar do doente e, mesmo nos períodos de surto, não tem a quem recorrer. Se ele resolve abandonar os medicamentos, a luta é ferrenha. Aí vem o surto. Fazer com que volte a tomar os remédios, é uma batalha. Diferente do que aconteceu na novela, via de regra, é a mãe que assume essa responsabilidade. Não vamos entrar nesse mérito. Cada caso é um caso e eu conheço a minha realidade.

O conceituado Jornal da Cidade assumiu como missão “Promover a cidadania democratizando o acesso à informação” e nos oferece este espaço valioso. Convido você, pai, mãe, irmão, tio, primo, filho ou amigo de esquizofrênico a buscar, junto comigo, um lugar iluminado onde nossos queridos possam retomar o tratamento e sair do “surto” sem correr nem oferecer risco à integridade física.

O hospital psiquiátrico não pode nem deve ser lugar de “prisão perpétua”, mas temos o direito de exigir que Bauru tenha um lugar onde possamos buscar ajuda nos momentos difíceis. Chega de mendigar vagas em Jaú, Marília, Campinas...

Afinal, os rumos da administração estão mudando. É hora de resolvermos de vez esse “vazio” da saúde mental. O esquizofrênico não sabe lutar pelos seus direitos; ele morre um pouco a cada dia no silêncio de seu quarto e quando o sofrimento está insuportável ele só acha uma saída... Vamos gritar por quem não tem voz nem vez!!!

Diná Silveira

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