O levantamento da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp) sobre o Índice de Nível de Emprego Industrial na diretoria regional do Ciesp de Bauru colocou a região, composta por 17 municípios, na terceira colocação entre as que mais contrataram trabalhadores em todo o Estado no mês de agosto, somando 350 vagas de trabalho preenchidas. A alta é de 1,31% sobre o mês de julho, ficando à frente das regiões de Diadema e Santa Bárbara D’Oeste - ambas com crescimento de 1,4% sobre julho. Ao todo são 36 diretorias regionais.
O resultado de agosto na região de Bauru é melhor do que o verificado no mesmo período do ano passado, quando o índice fechou em 0,92%. Entretanto, no acumulado deste ano o índice é negativo em 3,5%, correspondendo ao corte de 950 vagas no setor.
No mesmo período, a indústria de transformação paulista criou 1,5 mil postos de trabalho, o que significa alta de 0,07% em comparação com o mês de julho. Na diretoria regional de Marília o resultado foi positivo. Já nas de Jaú e Botucatu, negativo.
Na região de Bauru, os setores responsáveis pelas contratações na indústria foram os de confecções de artigos do vestuário e acessórios (7,37%), máquinas e equipamentos (1,85%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (0,41%). Segundo avaliação do Ciesp, o resultado do índice não foi melhor devido às demissões ocorridas nos setores de produtos alimentícios (-1,63%) e celulose, papel e produtos de papel (-0,94%).
De acordo com o diretor regional do Ciesp em Bauru, Domingos Malandrino, o fato dos últimos três meses (junho, julho e agosto) terem registrado resultado positivo indica uma tendência de alta até o final do ano. Porém, em função do desempenho negativo verificado no último trimestre de 2008 e primeiro trimestre deste ano, é improvável que a indústria da região ultrapasse os resultados gerais do ano passado.
“O mais provável é que a gente chegue no final do ano, em termos de geração de empregos, no zero a zero, ou seja, com resultado empatado ao do ano passado. (Em nível nacional) a gente trabalha com um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em torno de 1,5% a 2%. Mas hoje, o nível de emprego na indústria não corresponde ao crescimento do PIB”, observa o empresário.
Segundo ele, entre o último trimestre do ano passado e o primeiro deste ano houve uma perda muito grande do PIB, em torno de 5,3%. “Foi a maior queda do mundo. Por isso, se fecharmos este ano no zero a zero em relação a 2008, já vai ser uma vitória”, projeta.
Na avaliação de Malandrino, a indústria brasileira foi prejudicada pela demora do Banco Central em baixar os juros básicos da economia - a taxa Selic. “Estamos pagando o preço por isso. Hoje os juros estão em 8,5% ao ano, mas nós não concordamos com essa taxa. Os juros deveriam estar em 7%, mas não há dois, três meses, deveria estar assim desde janeiro do ano passado. A queda da Selic demora seis meses para dar resultados no setor industrial”, reclama o diretor do Ciesp.
Bom período
O empresário Evandro Manflin administra uma fábrica do setor de vestuário em Bauru, e portanto, integra um dos setores cujos resultados “puxaram para cima” o índice de emprego industrial na diretoria regional do Ciesp. Otimista, ele diz que, além do segundo semestre do ano tradicionalmente ser melhor para a indústria - que sempre aumenta as contratações diante do aumento da demanda em segmentos diversos em função do Natal -, nos últimos três meses os reflexos positivos da economia se acentuaram.
“No geral, mesmo o crescimento verificado sendo pequeno, o fato de ele estar ocorrendo é importante, é positivo. O segundo semestre do ano é sempre bom para o setor de vestuário, porque temos os lançamentos da coleção primavera-verão. Mas além disso, o comportamento do mercado nos últimos meses nos leva a crer que agora o crescimento será contínuo até o final do ano”, avalia.
Manflin não espera um “crescimento substancial” dos resultados de 2009 em sua fábrica na comparação com o ano anterior, já que os reflexos da crise financeira mundial mexeram com o comportamento da economia brasileira. Mesmo assim, ele projeta um fechamento superior ao de 2008.
“Os negócios vão bem e acredito que fecharemos o ano com um resultado 5% acima do que foi em 2008. De agora até o final de 2009, nós vamos aumentar o quadro de funcionários em 10% entre os setores comercial e de produção. Acho que o Brasil superou bem os reflexos da crise e que agora passaremos a colher mais resultados positivos”, conclui o empresário.
____________________
Melhora
Na avaliação do diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, Domingos Malandrino, com os resultados positivos verificados na região nos últimos três meses, é possível dizer que existe uma tendência de crescimento do setor até o final do ano.
“O período de setembro a dezembro costuma ser positivo em função do aumento de demanda relacionado aos pedidos do fim de ano. A nossa expectativa é de que nesse próximo trimestre a gente consiga vencer esse resultado acumulado negativo de 3,5% no ano na nossa base regional. Portanto, fecharíamos 2009 empatados com o ano passado”, avalia.
Entretanto, o empresário adverte que, mesmo com o crescimento do setor e levando em consideração a expectativa de encerrar o ano com resultado no mesmo patamar de 2008, haverá um déficit no número de empregos.
“Se levarmos em conta que a população economicamente ativa em Bauru cresce em torno de 1,5% a 2% ao ano, teremos um déficit empregatício no setor industrial de pelo menos 2%. Para que não houvesse esse déficit no número de vagas de trabalho, nós precisaríamos estar crescendo muito mais. Precisaríamos estar gerando pelo menos 400 novos empregos no setor industrial todo ano”, avalia.