Bairros

Gripe suína mata grávida cardíaca

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Uma mulher de 26 anos, cardíaca, e que estava grávida, morreu anteontem em Bauru vítima da gripe A (H1N1), a gripe suína. O bebê, um menino que estava na 34.ª semana de gestação, foi retirado através de parto cesariano de emergência, quando o quadro de saúde da mãe tornou-se gravíssimo. Faltando seis semanas para estar totalmente pronto para nascer, a criança foi colocada na incubadora da Maternidade Santa Izabel, onde permanecia internada em estado regular até ontem à tarde, respirando com a ajuda de aparelho de oxigênio. A mãe, que estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base, morreu logo após o parto.

Ela é a sétima pessoa que morreu em função da gripe suína em Bauru desde o início da epidemia mundial da doença, em maio. A causa da morte da gestante foi confirmada ontem pela Secretaria Municipal de Saúde, através da Divisão de Vigilância Epidemiológica, que não informou o nome da vítima. O JC apurou que ela morava na Pousada da Esperança, era casada e foi velada em casa e enterrada ainda anteontem no Cemitério Cristo Rei, no Parque Roosevelt.

Procurada pelo JC, o viúvo não quis comentar a morte. Pelo fato de ser cardíaca e estar grávida, a mulher estava no grupo de risco da gripe suína. O médico e diretor clínico e técnico da maternidade, Sergio Antonio Henrique, contou que a mulher foi internada com dificuldade respiratória.

Como era cardíaca e estava grávida, estava duplamente no grupo de risco da gripe A. “A própria gravidez pode levar a uma descompensação cardíaca. E, por estar grávida, tem queda no sistema imunológico, fica mais propensa a adquirir a gripe A”, frisa Henrique. Ele relata que a mulher foi internada na maternidade com dificuldade respiratória por causa de uma pneumonia e começou a receber o Tamiflu, remédio indicado para combater a gripe suína.

Porém, apresentou problemas no coração, o que levou os médicos da maternidade a internar a paciente na UTI do Hospital de Base. Entretanto, a paciente não reagiu bem e seu quadro clínico só piorou. Os médicos, então, optaram por fazer um parto cesariano de urgência e retirar o bebê. Logo em seguida, ela morreu.

Apesar dos últimos balanços do Ministério da Saúde apontarem redução no ritmo de contaminação pela gripe suína e em Bauru ter havido queda na incidência de casos graves, como o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, já informou anteriormente, a doença ainda exige todos os cuidados de limpeza e higiene pessoal inicialmente recomendados para evitar a proliferação do vírus.

“Hoje a doença já está bem mais controlada. Caiu bastante o número de pessoas com síndrome gripal e quando alguém chega à maternidade com suspeita, é investigado e tratado”, afirma o médico Sérgio Antonio Henrique. Mas ele ressalta que a população tem de continuar lavando as mãos com freqüência, usar o gel nas mãos, entre outros cuidados para evitar a gripe suína. Desde o início da epidemia Bauru soma 156 casos de gripe A, sendo 100 por exames e 56 por critério epidemiológico, com sete mortes.

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